[CardosOnline Porto Alegre, domingo, 5 de outubro de 2008]

[CardosOnline - 999 - Porto Alegre, domingo, 5 de outubro de 2008] EDITORIAL Mastigando gomas, relembrando velhas formigas e observando felinos dormin...
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[CardosOnline - 999 - Porto Alegre, domingo, 5 de outubro de 2008] EDITORIAL Mastigando gomas, relembrando velhas formigas e observando felinos dormindo à distância, estalo a carcaça na sala ardendo silente na madrugada quente que vive meu cotovelo este finalzito de setembro. Uns quase vinte graus lá fora, a dobradiça do braço sofrendo no esfregaço do abrigo: comprei na C&A. Um feixe muscular que se faísca inteiro do peito à barriga do pé me dá a dica. Vario a posição dos tornozelos descruzando as canetas. Faço assim troça e (principalmente) muxoxo do universo. Driblo a gangrena com graça e destemor. Pisco forte, lavo as orbes com vontade. A língua repousando seca na bocarra; um odor de bunda emanando firme da cavidade (bucal). Estou sentado há muito tempo na mesma posição. Imerso no que ausculto no momento, vou cozinhando meus gametas pouco abaixo do teclado: agora uso notebook. A transição, confesso, foi um tanto quanto incômoda; aporrinhante, até. É bem mais difícil mudar aos vinte-e-nove do que aos vinte-e-cinco ou quatro ou três. Por outro lado, se aceita melhor o golpe. Por exemplo: eu, agora, como saladas e as faço. Adquiri, atesto, alguma habilidade em ornamentar as folhas todas com óleos, amêndoas e multi-molhos. Foi-se abaixo o plano magno de cortar o lixo atômico da dieta só depois dos trinta. Na metadinha do vintém, me vi num pife. Troquei o bife pela alface: alegria. Uganda governando o intestinight. Sem motivo, razão ou circunstância plausível, a este ponto da jornada proponho-lhes a todos um exercício: polichinelos embaixo d'água. Me basta um baço seco que me emburre, um adversário qualquer que eu surre, uma prestação que me empurre até o final do mês. Não preciso de mais muito depois que vim morar no trinta y três. Um dia bem frio de céu azul no outono, velocidade e constância na conexão, os aromas inesperados das segundas-feiras de manhã. O zumbido manso da TV ligada e sem sinal me atrai. Pingo uma gota de leite para o amanhã enquanto o lacrimejar dos canos se esvai. Banzai, wabi-sabi, adonai; Costacurta, Valenzuela, Poucas Trancas, Czarnobai. No braço de couro, uma cumbuca arcaica e papéis para variados usos coexistem com a tecnologia e a vegetação local. As muitas promessas ali contidas me prendem emudecido num macio moleza típico dos píncaros de maio por bons momentos. Morosamente seleciono os itens, os disponho sobre o peito e então estalo os dedos. A madrugada, já muito acesa, ganha novo flamejar. Odor e nuvens de tempestade. O prêambulo do lero de Jah-Jah. Ao longe, muito ao fundo, um alarme de carro conspira contra a tranquilidade que desejo experimentar. Futuco de leve a bigodeira sofrendo de estranhas saudades das rajadas perturbando as noites da Medianeira. Faz tanto tempo que não me sinto mais inseguro. No espaço que sobra, me rio, bobo y contente. Sou bem feliz aqui e agora, com os quadros todos nas paredes, as roupas apertadas nos armários e a louça que não lavei molhada na pia. Logo ao lado ela dorme pesado, os pés quentes na beirada da cama, meu coração sempre em disparada. Cocejo a barba antevendo o próximo movimento: fricção de dentifrício, um longo lastro de mijo e uma ou duas mãos em concha cheias d'água estourando na cara. De cueca-e-meia no escuro do quarto aplico, cheio de groove & malandramente, seis passinhos de dança. Charleston-do-Norte reverse, um-dois-três: pára, junta os pés e gira, já tombando sobre a cama. Engatinhante, tateio meu caminho até o abraço fenomenal de fim-de-dia; boa noite, conterrâneos. Boa noite. (...)

Encaminhando-se para o fim deste começo, eis aqui um BILHETE com ares de disclaimer, atenção e ACHTUNG. Pedimo-lhes a gentileza de o conservarem consigo até o final da viagem, tendo sempre em mente do que se trata. A ele, portanto: "Esta é a ÚLTIMA edição do CardosOnline. Para todo o sempre. Não existe a MENOR possibilidade de cometermos uma barbaridade destas de novo, por motivo algum, nunca mais. Portanto, não insista. Não nos peça nada: saboreie este acepipe. Extravase esta pomada. Navegueie nesta pipa. Contemple, amigo leitor, o juvenil garbo desta trupe. É um belo dia, esta segunda-feira. E isso que ainda estamos no domingo". Obrigado. --Cardoso

ALCE VENENOSO - O CANTOR DOS CORNO --Cardoso No cardápio de hoje: MASTIGANDO O COSMOS ###################################### WELCOME TO BONAFIDE ###################################### Madrugada de terça pra quarta, começo de setembro em Porto Alegre. Adianto violentamente a redação dessa COLuna por saber que em breve minha vida complicar-se-á AFU. Mas não por maus eflúvios, Silas: bonança é o que vem depois da bonanza, depois da tempestade o mumu, o néctar, o carinho da baunilha. Je vais bien. Ik ben fijn. Numa boa. A onda boa do trabalho urgente do segundo semestre, uma tendência costumeira no calendário estimado do JOHN SABLE (freelancer - essa referência é só pra quem curtia Grim Jack e Badger) que sempre parece que demora mais pra chegar a cada ano, mas sempre vem lambendo firme a finaleira, engrossando o caldo na betoneira, salvando o jeans da molecada. Se adolescer parecia dureza, adultecer é ainda mais encarnado - mas nem por isso menos divertido. Aliás, HOLY FUCK I AM GONNA TURN THIRTY. Mas só no ano que vem. ###################################### Falando em ERAS, no fim do ano passado cumpri meu destino e finalmente me mudei pro Bom Fim. Depois de uma década inteira de devoção (nem sempre) silenciosa, passei a habitar o terceiro andar de uma quase esquina numa ponta misteriosa do bairro, delicadamente equilibrada entre o Centro e a Cidade Baixa. Não possuimos vista

senão das costas velhas de um outro prédio, mas ao menos conjugamos os verbos na primeira pessoa do plural. Petite é meu primeiro amor adulto: sou devoto desde a primeira vez que a vi, mas só fui roubarlhe o primeiro beijo - e emendar romance - dez anos depois. Por ela já passei muito apuro, vivi muito desespero. Hoje RESTO, sossegado: na minha vida tudo acontece na hora certa. ###################################### Sobre o BAIRRO, em si: vendi o carro e passei a caminhar e usufruir do sistema de transporte coletivo de Porto Alegre, que funciona espantosamente melhor do que me lembrava; sorvo recorrentes cafés nos estabelecimentos apropriados espalhados pelas muitas ruelas; reencontro de dois a seis amigos de diferentes fases da vida toda vez que saio de casa; nunca mais senti medo de ser assaltado ou vilipendiado de qualquer forma, a contrário do mal que se abate sobre as cabeças de 9 em cada 10 conterrâneos; o Xis-coração da Lancheria não é mais o melhor da cidade (mas ainda assim como umas duas vezes por mês); mercados e supermercados, feiras e padarias artesanais ao alcance das pernas; uma dúzia de bons e meia de excelentes restaurantes no mesmo raio; um parque inteiro para os dias de calor. Sem falar que pelo menos uma vez por semana alguém me aborda na rua falando HEBRAICO. ###################################### I give chumps cranium lumps just like Louisville I stand tall, just like the Catskill Mountains Preyin' like a cougar ready to pounce and denouncin', all the unrealistic fake gangsters fake mystics; so let me make this specific You're nowhere near as the original gifted Rhymes get twisted, brain cells dissolve As the world revolves, wack crews lick my balls -Guru from Gangstarr ###################################### twitter.com/vitorfasano: on BUENOS AIRES: Manhã de compras na Calle Florida e Galerias Pacífico após um saboroso desjejum de medialunas no rústico Hotel Avenida. O charme do metrô antigo até Palermo Hollywood e depois cruzar a linha do trem para se infiltrar nas vielas cosmopolitas de Palermo Soho sorvendo um Freddo dulce de leche tentación. Lomo con papas premium no Calden acompanhado por um saboroso vinho local. Fim de tarde cultural no Malba e menu internacional no jantar com amigos em Puerto Madero. Pra encerrar, churros con chocolate e tábua de frios no Café Tortoni. Sobremesa? Un merengazo. twitter.com/vitorfasano: off ###################################### EMAIL DA SEMANA ---------- Forwarded message ---------From: 1894152 Date: Wed, Aug 27, 2008 at 10:32 PM Subject: MARI BUCK To: afpc

POR QUE FAZEM ISSO ###################################### MEMENTO MORI [para Daniel Pellizzari] ###################################### Nos meus anos mais remotos, na Porto Alegre colonial que era a casa da minha Vó Frida na década de 80, lembro de ser doutrinado para não beber PONCHE na MATINÊ porque era muito comum que nele os rapazes mais velhos pusessem maconha - o que, diga-se de passagem, não vem exatamente ao caso neste FÓRUM. Mas o que vem ao caso é que a mesma Vó Frida era quem rezava, de pés juntos, que na época da guerra tinha de se esconder embaixo das tábuas do piso de casa, junto com as irmãs, mãe e tias, toda vez que por lá batia o exército brasileiro dos anos 30. Vieram, os Rozumek, fugidos da GERMÃNIA e aqui o bicho pegava contra os imigrantes. Back then sprachen deutsch era totally uncool, de modo que apenas o pai e os tios recebiam os milicos, falando um português tosco mas pelo menos funcional o suficiente para evitar prisão, surra e possível morte. Infelizmente, isso também não vem ao caso - ou pelo menos não neste momento. Fato é que era, ainda, a mesma Vó Frida quem defendia a teoria de que grande parte do café solúvel comercializado no Brasil era então composto por GALHO, FOLHA e BATATA DOCE. Ainda havia café na mistura, é claro, mas apenas o suficiente para conferir o aroma e o gosto à bebida. No grosso MESMO, BATATA DOCE. Nunca soube se isso era verdade. Ou até soube, mas já esqueci. Não sei. Esqueci. Nos gloriosos dias de aujourd'hui, quem passa por apuro semelhante é a CERVEJA DE BRIGA. Aquela que a gente compra no mercado. São os próprios rótulos que decretam: a maior parcela da cerveja consumida no país leva CEREAIS NÃO MALTADOS em sua composição - um termo genérico que muitas vezes se refere ao GRÃO COMUM, como o arroz e o milho, mas frequentemente também se aplica a manifestações tuberculares menos sensatas, como o CHUCHU e (adivinha?) a BATATA DOCE. INTERLÚDIO/FACA DE DOIS GUMES: se por um lado pode ser bastante reconfortante imaginar que, numa hora de aperto dá pra fazer cerveja com praticamente QUALQUER vegetal que estiver disponível, por outro, puta que pariu: é suco de BATATA. Nota mental [1]: tecnicamente, não é um "suco". Nota mental [2]: se faz vodka de milho. E também de batata. Mas enfim, até aí, nada de mais. Quer dizer, quem foi que disse que pra ser cerveja, não pode ter

arroz, milho, AÇAFRÃO, BACALHAU ou BAUXITA na receita? Sério, alguém disse isso? Aparentemente: SIM. ###################################### Questão de uns dois anos atrás fiquei sabendo da existência de uma tal Lei de Pureza da Cerveja, mais conhecida entre os punheteiros de plantão como REINHEITSGEBOT. Enquanto o texto original reza que > "Como a cerveja deve ser elaborada e vendida neste país, no verão e no inverno: Decretamos, firmamos e estabelecemos, baseados no Conselho Regional, que daqui em diante, no principado da Baviera, tanto nos campos como nas cidades e feiras, de São Miguel até São Jorge, uma caneca de 1 litro (1) ou uma cabeça (2) de cerveja sejam vendidos por não mais que 1 Pfennig da moeda de Munique, e de São Jorge até São Miguel a caneca de 1 litro por não mais que 2 Pfennig da mesma moeda, e a cabeça por não mais que 3 Heller (3), sob as penas da lei. Se alguém fabricar ou tiver cerveja diferente da Märzen, não pode de forma alguma vende-la por preço superior a 1 Pfennig por caneca de 1 litro . Em especial, desejamos que daqui em diante, em todas as nossas cidades, nas feiras, no campo, nenhuma cerveja contenha outra coisa além de cevada, lúpulo e água. Quem, conhecendo esta ordem, a transgredir e não respeitar, terá seu barril de cerveja confiscado pela autoridade judicial competente, por castigo e sem apelo, tantas vezes quantas acontecer. No entanto, se um taberneiro comprar de um fabricante um, dois ou três baldes (4) de cerveja para servir ao povo comum, a ele somente, e a mais ninguém, será permitido e não proibido vender e servir a caneca de 1 litro ou a cabeça de cerveja por 1 Heller a mais que o estabelecido anteriormente. Guilherme IV, duque da Baviera, no dia de São Jorge (23 de abril), no ano de 1516, em Ingolstadt" (Extraído do livro "O catecismo da Cerveja", de Conrad Seidl Editora Senac) (1) A caneca da Baviera tinha na época 1,069 litros. (2) Tigela em forma semicircular para líquidos, com pouco menos de uma caneca de 1 litro. (3) O Heller geralmente equivale a meio Pfennig (4) Equivalente a 60 canecas de 1 litro. < é mais fácil dizer apenas que cerveja, pra ser chamada de cerveja, deveria ser feita com: (1) água; (2) lúpulo; (3) malte de cevada; O (4) fermento entrou mais tarde na jogada, já que à época ainda não se conheciam suas propriedades. ###################################### Nos meus anos mais recentes, na Porto Alegre metropolar - ou metropólica - que se tornou o meu círculo de amigos no século XXI,

eclodiu oportunamente uma cena inteira de cerveja artesanal. Feitas em menor escala e com maior cuidado, utilizando apenas os quatro mágicos elementos em sua fórmula, estes benditos ELIXIRES podem ser facilmente encontrados nas prateleiras dos supermercados e nos cardápios de boa parte dos bares da cidade. E o melhor: há diversos representantes LOCAIS. Eis algumas das BEBERAGENS nativas cujos CREMES já provei: CORUJA - É uma das pioneiras do movimento. Tomei pela primeira vez numa longíqua madrugada no Zelig, onde provavelmente começou a ser vendida. Hoje existe em duas manifestações: Coruja Viva e Coruja EXTRA Viva, e pode ser ordenada em praticamente tudo que é biboca de nível universitário pra cima. Sabor assobiante, tendência à peidorreira baixa, borbulhância moderada. Apesar de um pouco menos FATAIS no contexto geral, por terem sido desde sempre muito decentes pra caralho merecem quatro estrelinhas no overall: **** ABADESSA - Garrafa mais bonita da história da cerveja, sabor transtornável e configuração maestra [ns]. Pode ser tranquilamente denominada de o ÁPICE da estética do ponto de vista do ENVASE, mas isso não é tudo. A Abadessa detém qualidade suficiente para encantar também o paladar. Disposta em muitas versões, embebi-me até então apenas em Helles (logotipo azur) e Export (bordôzito). Graças ao perfume de pão incomparável, é garantia completa de transportar o bebedor a um FIORDE MENTAL IMEDIATO. Cinco SHURIKEN na testa; estrela NINJA: ***** SCHMITT - Ainda que um tanto oscilante, esta cerveja é por demais saborosa, sobretudo enquanto Ale. Na modalidade Barley Wine a irregularidade é um pouco mais acentuada: volta-e-meia o cara tem a impressão de que alguém virou um golão de PINGA na garrafa. Pudera: são 8,5 graus de Gay-Lussac. Opípara flatulência e eructação prolongada fazem parte do programa, que inclui também o mais autêntico despertar de papilas gustativas que você vai experimentar por algum tempo. Seis impossíveis estrelas estalando no firmamento: ****** ANNER - Mais ROOTS de todas, a Anner começou a ser feita em BANHEIRAS e tem o histórico de batches mais inacreditável da história. Já teve gosto de banana, mais de 20% de álcool e até andou EXPLODINDO, mas no último ano encontrou seu FUTEBOL e desde então só vem dando alegria pra torcida. Blonde e Bitter Ale profissas, Tripel COENTRO sublime e MARIA DEGOLADA SPECIAL arrebentando a vala. Ainda não é comercializada em praticamente NENHUM lugar, o que conserva um toque de romantismo e (vamos admitir) AMADORISMO que deixam o quitute ainda mais temperadito, levando pra conta nada menos que sete estrelas uma pra cada dia da semana - e um quarto de lua MINGUANTE: ******* ) GIBIER - Encontrada apenas no Gibi Bar e Bruschetteria, é uma das mais novas opções do mercado. Encorpada e sabujenta, ferve firme na glote cozinhando os temperos que adornam a especialidade da casa. Em outras palavras, excelente acompanhamento para o frango ao curry com berinjela da Ranxerox ou do shimeji com alho poró da Matiolli. Diz-se que é uma versão mais robusta da igualmente novata Rock Bier, que por sinal ainda não degustei. Somando rango e trago, o show vale cinco estrelas - sendo uma delas cadente: ****/ Atenção: não confundir com "decadente":\ Melhor seria dizer "ascendente", mas acho que não existe estrela que SAIA da Terra em direção ao COSMOS. Pelo menos AINDA.

###################################### Entre as cervejas locais que NÃO experimentei merece destaque supremo a CANJIBRINA da Desiréé e do Heitor, uma verdadeira escola da cervejaria gaúcha recente, responsável pela formação da Polla (que hoje produz a Alice, Cerveja de Panela) e dos próprios Irmãos Caon, os cozinheiros da Anner. (...) Finalizando a contenda, em caráter HORS CONCOURS vale ainda citar a cremosidade morena da ERDINGER PIKANTUS, um genuíno JESUS NEGÃO DE CRISTO liquefeito e temperado; e a BADEN BADEN RED ALE, caramelinho venenoso de 9 graus e meio de estupefasciência que desce instaurando a festa irrestrita nos CHAKRAS. (...) Tudo isso pra dizer: ABAIXO A BATATA-DOCE. CERVEJA ARTESANAL OR DIE. ###################################### FUMÂNTICOS - bom nome para um clube underground de degustadores de cigarrilhas. ###################################### DAILY MUGSHOT - Mantenha a sua webcam plugada e, todos os dias, obtenha um instantâneo de suas fuças utilizando uma prática ferramenta online. Ao longo do tempo, a coleção de fotos será transformada em uma seqüência animada que pode ser facilmente integrada a blogs e social networks ou aplicada diretamente no código html, como é possível observar no exemplo a seguir: http://www.qualquer.org/wat. BÔNUS: esperta que só ela, a ferramenta fotográfica do site oferece um utilíssimo sistema de marcadores, que operam milagres genitais, facilitando HORRORES a continuidade do processo. Por sinal, quase esqueci do endereço: http://www.dailymugshot.com/ ###################################### BREU BREU BREU ###################################### RECIFE: O boi das crianças e os carangüeijos pescados na hora em Itamaracá; o breakbeat comendo solto nas ladeiras, o amendoimafeijoado e o PAU DO ÍNDIO DO CARDOSO em Olinda; melhor coxinha do mundo na Boa Viagem, o carnaval de rua do centro antigo, o Instituto Brennand com aquela coleção absurda de armas brancas e medievalismos; caldinho de sururu e agulha frita em Porto de Galinhas; Sinfonia Marítima no castelinho secreto no coração da lendária favela Brasília Teimosa. BELÉM: Peixe com açaí e farinha de mandioca no Ver-o-Peso; Tacacá debaixo da chuva das cinco horas no centrão quente; Pizza de jambu e show de jazz no calor mais úmido do mundo na madrugada quente do Café Imaginário; Unha de carangüeijo e os maiores camarões do mundo à thermidor ou à paulista no Hotel Regente; pajelança em Ananindeua; chopps de cupuaçu, café e cacau da Amazon Beer na Estação das Docas;

trago leve no Ver-o-Rio; techno-brega bombando 24/7 na RAYULAND. Nas próximas edições: lembranças domésticas, geográficas, afetivas e gastronômicas de Florianópolis, Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo, Trancoso, Itacaré, Maceió, Aracaju, Ilhéus, Salvador, Arraial D'ajuda, Garopaba, Pelotas, Paraty, Petrópolis, Belo Horizonte, Paris e Amsterdam. ###################################### PIRATÃO LOUCURA - bom título para fantasia de carnaval de rua (apud Jackson Araújo) ###################################### NINTENDO IS BACK - Depois de um longo período completamente rendido aos encantos sonyferos, finalmente me vi liberto do vírus estacionário no final de 2005 - ou começo de 2006 - quando adquiri um Nintendo DS. Foi bem na época que estourou a crise dos aeroportos, e como eu andava viajando com uma freqüência espantosa, acabava perdendo grande parte do dia em salas de embarque e aeronaves variadas. Pra piorar, toda a companhia digital de que eu dispunha resumia-se a um mp3 player de 128 mega - uma das piores compras que já fiz na vida. Junto com o portátil, adquiri também um KIT PIRATEICHON que me permite rechear um cartão microSD com cerca de 20 jogos diferentes. Entre os preferidos estão sintetizadores musicais ("Electroplancton"), simuladores de cozinha ("Cooking Mama"), bizarrice japonesa ("Rub Rabits"), simuladores de estratégia ("Age of Empires" e "Advanced Wars"), treinadores mentais ("Brain Age" e "Big Brain Academy") e mais bizarrice japonesa ("The World Ends With You"). Em suma: NUNCA MAIS senti tédio num AEROPLANO e/ou pista de pouso, quiçá sala de embarque. BÔNUS: em abril desse ano, vendi meu lendário Escort Champagne e com parte do dinheiro arrecadado comprei um Wii. Ainda torrei uns bons dobrões no comércio local ao adquirir "Resident Evil: Umbrella Chronicles" e "Pro Evolution Soccer 2008" pelo equivalente a 50% do que paguei no console, mas em seguida aprendi o caminho das pedras no eBay e arrendei "The Godfather", "Endless Ocean" e um controle extra por uma quantia correspondente a 10% do que paguei na máquina. Outros 10% investi em "Sin and Punishment" (um shooter japa do N64 unreleased no ocidente), "Lost Winds" e num Opera (aka "Internet Channel"). Veredito: Very bom; Great success. Aproveito. ###################################### DOGOMIN PAKULSKI - bom nome para um dos freqüentadores do clube underground de degustadores de cigarrilhas, esloveno, de costeletas e suspensórios. ###################################### GAME ONLINE DA SEMANA: CUNT http://www.komix-games.com/game.php?game=cunt

Combater as doenças venéreas espalhadas pela VULVA mais infecta da história da BUCETOLOGIA já parece uma premissa revolucionária o suficiente, mas se além disso ainda nos deparamos com uma jogabilidade intuitiva e fluida e uma apresentação gráfica que dá de RELHO em grande parte daquilo que se chama de ARTE hoje em dia, não se pode fazer mais nada além de DESFRUTAR do paraíso. REGOZIJE. ###################################### MUITO MEDO: http://hasthelargehadroncolliderdestroyedtheworldyet.com/ ###################################### AS ÚLTIMAS 10 COISAS QUE COMPREI ou "parafraseando o Vitrine" 1. duas baden baden red ale 2. mochila de surfista/skatista 3. HD externo de 250 GB 4. entrada no Gruta Azul 5. terno e gravata 6. víveres, mantimentos e vitualhas diversas no supermercado 7. bilhete de trem (só de ida) 8. passagem de avião (uma de ida; uma de volta) 9. um SMS de amor (celestial) 10. um centograma de maranguape destemido ###################################### ADEO$: Para mais demência incontrolável em forma de texto, música, desenho, vídeo, foto e etc. acesse www.qualquer.org e explore. Entre outras coisas, você vai encontrar os arquivos do COL e da IRD, todas as faixas dos Organizers e Evillips, camisetas do Josnel, agenda e informações sobre a Pecha Kucha e mais de 1,5 mil textos selecionados deste que vos fala. Atualizações diárias (ou pelo menos semanais) em www.qualquer.org/bugio. Diversão pictórica? Volte para a home (www.qualquer.org), pressione F5 pelo menos cinco vezes e tente resistir à tentação de perder mais de HORA E MEIA na brincadeira. Esteja avisado. ###################################### TRILHA SONORA Incidental:

Dois episódios quaisquer dos Simpsons CARMEN: MTV'S HIP HOPERA (possivelmente o PIOR filme da história do cinema) TVCOM Esportes e Jornal da TVCOM "Simplesmente Amor" Musiquinha do Wii Menu Proposital: The Cardigans - Life Cornelius - Fantasma The Rub - Hip Hop History 1993 Radiohead - Ok Computer The Chemical Brothers - Brother's Gonna Work it Out Breakbeat Era - Ultraobscene The Rub - Hip Hop History 1994 Elomar - Árias Sertânicas Funkmaster Flex - 60 minutes of funk Vol. 01 Brian G - The Sound of Movement ###################################### EXPERIMENTE ETERNAMENTE O EMPIRISMO /\/\ o o (oo) KIDIDS! --Cardoso

SEPULTURERO CHA CHA CHA --Daniel Galera

[coluna anteriormente conhecida como FARRAPOS, SEGUNDA À ESQUERDA] [e também conhecida posteriormente como EM MEMÓRIA DOS ORANGOTANGOS] *** "Dónde está el sepulturero? Muerto. Quién está encargado del cementerio? Dios. Dónde está el sacerdote?

Se fué." --Cormac McCarthy, 'A Travessia' *** Pois é. O COL fez dez anos. Eu poderia escrever 300kb sobre o que aconteceu na minha vida nesses dez anos, mas nah. Saí de Porto Alegre e fui pra São Paulo, saí de São Paulo e agora escuto as ondas quebrando nas pedras a cinco metros das janelas da minha casa. Livros foram lançados e relançados. Livro novo chegando no fim de outubro: "Cordilheira", romance, Companhia das Letras. Tenho sido feliz como sempre, não vejo muita alternativa. De qualquer modo, tudo foi obliterado quando conheci o Velho Branco. Silêncio, água, mulheres, narrativas. Me avisem quando algo mais aparecer. *** BIVÉR: SELF-AWARENESS + SEPULTURERO - NOOKIE ____________________ = SIGNIFICANT BULLET *** O VELHO BRANCO "Una cosa, hasta no ser toda, es ruido, y toda, es silencio" -- Antonio Porchia, 'Voces'

Quero ser como o Velho Branco. Não sei quase nada sobre o Velho Branco, mas o pouco que sei é tudo que é necessário saber para ter certeza de que quero ser como ele. O Velho Branco não é muito velho. Tem cinqüenta e dois ou cinqüenta e quatro anos. Sua barba e bigode ainda volumosos e os cabelos parcialmente ceifados pela calvície são brancos e lhe fazem aparentar uma idade maior do que a verdadeira. Sei o nome dele, mas não vou contar. Ele tem origem alemã. Para mim ele foi desde o primeiro momento o Velho Branco. É complicado descrever o pouco que sei sobre o Velho Branco e por que esse pouco me dá vontade de ser como ele. O Velho Branco nada na mesma academia de natação em que nadei durante dois dos três anos que acabei de passar em São Paulo. Na verdade, passei a interagir com o Velho Branco só nos últimos seis ou sete meses de vida paulistana, até que minha mudança voluntária para uma praia de Santa Catarina me afastou da academia em questão. E acho que foi apenas no último ou nos dois últimos desses seis ou sete meses que percebi com clareza tudo que o Velho Branco significava e que é tão complicado de descrever. Não sei o que o Velho Branco faz da vida, mas ele não é atleta profissional. Como eu, ele apenas nada. Seu desempenho nas raias é extraordinário para uma pessoa de cinqüenta e dois ou cinqüenta e quatro anos que não é atleta profissional. O Velho Branco faz parte de uma equipe que treina todos os dias ao meio-dia e meio na supracitada academia. Essa equipe tem cerca de uma dúzia de pessoas e

é formada em sua maior parte por triatletas e pessoas com cerca de trinta anos. Há um homem integrante da equipe que é ainda mais velho que o Velho Branco - tem cinqüenta e seis anos - e atinge marcas superiores nas séries de velocidade e também nas de resistência. Ou seja, não estou querendo insinuar que admiro o Velho Branco por ele ser um super-atleta ou algo do tipo - embora haja um quesito em que o Velho Branco é simplesmente insuperável, o braço sem palmar. Ninguém da equipe nada mais rápido que ele fazendo braço sem palmar, modalidade de treino que consiste em colocar uma bóia entre as pernas para imobilizá-las e ao mesmo tempo fornecer flutuação extra na parte inferior do corpo, deixando toda a propulsão a encargo dos braços. Mais do que força, o bom rendimento no braço sem palmar depende de uma braçada bem desenhada e um bom "giro", ou seja, uma freqüência elevada de movimentos. Fazer força é importante, mas não desperdiçar força é o que realmente faz diferença no braço sem palmar. O Velho Branco não desperdiça força. Foi dividindo uma raia com o Velho Branco numa série de braço sem palmar que senti pela primeira vez o império de sua presença. Essa sensação teve início como uma banal manifestação de inveja e admiração motivada pelo fato de que eu, cerca de vinte e cinco anos mais jovem que o Velho Branco e praticante da natação desde os catorze anos, descobri-me incapaz de ultrapassá-lo ou sequer acompanhar seu ritmo numa série qualquer de braço sem palmar, por mais que me esgoelasse e me peidasse em explosões de esforço tamanhas que me acarretavam ânsia de vômito. Naquele dia passei a prestar atenção no Velho Branco e ao longo das semanas recolhi evidências diversas de sua esmagadora superioridade diante de todos os seres humanos que já existiram, existem e virão a existir. A primeira dessas evidências, talvez a mais importante de todas, foi a descoberta do segredo por trás do milgaroso desempenho do Velho Branco na técnica do braço sem palmar. Quando lhe perguntei como ele conseguia ser tão bom no braço sem palmar, a resposta foi: "Porque eu gosto de fazer braço sem palmar". Dificilmente vou conseguir explicar a grandeza metafísica dessa resposta para quem não a identificou de cara. Além disso, nesse texto não há como reproduzir a voz do Velho Branco - o som de algo sólido tornado quebradiço em condições inesperadas, como o estalo final do tronco de uma sequóia centenária que está começando a tombar depois de ter sido absurdamente seccionada na base por uma motosserra idiota -, tampouco a expressão facial que ostentava ao me responder - a mesma expressão de absolutamente todos os momentos em que o flagrei, olhos arregalados numa face relaxada e quase inerte, a expressão de um ser totalmente à vontade numa vida que sabe que jamais vai dominar - ou sua postura geral naquele momento - aprumada e velha, parecendo conter o potencial infinito dos gestos letais de uma arte marcial particular. Posso dizer apenas que naquele instante me vieram à mente todas as coisas de que gosto justamente porque sou bom nelas, e não o contrário. Me senti pequeno e ignorante, mas um ser pequeno e ignorante para o qual a salvação estava ao alcance. Depois foram os banhos frios. Nas várias dezenas de ocasiões em que tive oportunidade de testemunhar os procedimentos do Velho Branco no vestiário masculino antes de iniciar um treino ou após o treino ele tomou um banho gelado de vários minutos. O leitor deve resistir à tentação de abrandar o que está sendo dito com uma interpretação eufemística. Quero dizer com "banho gelado" que o Velho Branco gira apenas o registro da água fria, até a potência máxima, e entra embaixo da água fria ou gelada ou congelante - depende da estação do ano - e fica ali embaixo por vários minutos. O Velho Branco não bufa. Ele não geme. Ele fica em silêncio mesmo nos dias mais frios, sob a água mais mortalmente congelante. Em algumas ocasiões, em pleno inverno, eu o escutei cantarolar enquanto se esfregava sob a ducha glacial, um canto capaz de vaporizar a alma de eventuais banhistas presentes no vestiário. Saliente-se que o Velho Branco jamais chamou

a atenção de ninguém para esses banhos brutais, assim como nunca se vangloriou de sua supremacia no braço sem palmar. Ele fica na dele, mas é claro que outros freqüentadores do vestiário acabam notando. Nos dias mais frios, o boxe do Velho Branco - os boxes da academia não tinham porta e davam todos para um único corredor - irradiava uma mortalha de frio paralisante que não tinha como passar despercebida. Questionado, ele alegava que "gostava" dos banhos frios e que eles "faziam bem". Todos sabiam que o Velho Branco tinha razão, mas poucos se atreviam a tentar imitá-lo. Eu tentei uma vez. Tolero e até aprecio banhos gelados no verão, mas no inverno eles são violentos demais para mim. Testemunhei um dos maiores nadadores da equipe, um sujeito jovem, alto e musculoso, experimentando a ducha fria do Velho Branco no outono. Ele suportou mais ou menos um milionésimo de segundo e recuou quase em prantos, completamente aniquilado. Há diversos outros aspectos do comportamento do Velho Branco que contribuem para sedimentar a força de sua presença. Ele quase não fala. Quando fala, é sempre perfeitamente breve, direto e cordial. Todo dia ele nada no mínimo três mil metros, invariavelmente. Se o treino do dia não alcança essa distância total, ele permanece na piscina sozinho e completa os três mil nadando braço sem palmar, não importa quão destruidor tenha sido o treino. Várias vezes olhei para trás antes de entrar no vestiário após um treino forte, me sentindo desossado e desprovido de qualquer traço de energia vital, e vi o Velho Branco deslizando numa raia da piscina vazia, bóia entre as pernas, braços furando e empurrando a água para cumprir seus três mil metros de praxe. Tenho saudade do Velho Branco. Lembro dele com freqüência quando nado no mar, quando sinto medo do mar apesar de ter optado por nadar nele de novo, dia após dia. Ele é a encarnação de uma verdade muito escorregadia. Seu silêncio, disciplina, elegância, humildade e total ausência de vaidade são facetas de um tipo grandioso e muito raro de resignação diante do destino. O Velho Branco lembra de tudo e antevê tudo. Ele sabe que vai morrer e sabe que nem o entendimento mais profundo da vida nos poupa de experimentá-la. Ele sabe que podemos contemplar infinitos caminhos e escolhas alternativas para a vida que nos acontece, mas que no fundo há apenas um caminho e que nossas escolhas são inevitáveis e que essa visão permanente, latente, de tudo que poderia ter sido ou poderá ser é nada mais do que uma história que contamos para nós mesmos. Sabe que é possível compreender a trama do tecido da vida, decifrar seus padrões até um certo ponto, e sabe também que nossas reações ao desenrolar da trama independem dessa compreensão. Sabe que podemos ser compassivos mesmo sem agir. Sabe que ser virtuoso é fácil, difícil é lidar com as conseqüências da virtude. Num mundo onde o Velho Branco existe não pode haver vítimas. Suas braçadas de bóia e sem palmar nos dizem que a probabilidade do que acontece é absoluta. Ao vê-lo nadando, você saberá que ele sabe disso tudo e saberá que ele sabe de outras coisas, coisas impossíveis de compartilhar, pois falta linguagem. ***

um oferecimento PORCO SODOMITA

(

/u\ /u\ | 0 \/ o | (OO) ) ____ TAIST DA BAY-CON

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[A bandana jamais morrerá ou Compaixão é tudo, crianças] "It was weird and irrational but all of a sudden I felt really strongly as though the bus driver were really me. I really felt that way. So I felt just like he must have felt, and it was awful. I wasn't just sorry for him, I was sorry as him, or something like that." -- David Foster Wallace, 'The Planet Trillaphon As It Stands In Relation to the Bad Thing' *** Trilha sonora: Mogwai e gaivotas em chamas Site deste que vos fala: ranchocarne.org --Galera

A VERDADEIRA MAIONESE --Marcelo Träsel Consultado a respeito de sua COLaboração nesta edição de centenário do Cardosonline, o COLunista Marcelo Träsel expressou a preferência por se manter em silêncio na varanda de casa, esperando as hordas que vêm destruir a cultura e a civilização com a espingarda calibre 12 herdada do avô e preparada para "proteger minha família, a tradição e a propriedade". O antigo co-fundador da publicação acrescentou que "teria mais prazer se vermes comessem as minhas bolas ainda em vida" do que tendo um texto seu publicado novamente junto aos "daqueles pederastas drogados filhinhos de papai". Assim, optamos por convidar o eminente crítico prof. dr. Buarque para realizar uma análise de um texto da obra de Marcelo Träsel no Cardosonline. -- Os editores AGORA ERA FATAL Uma coisa é você andar por aí procurando nada e achar ouro. Antes de voltar, eu sei, precisamos provar para nós mesmos o sentido de tudo. E andar. O Cardosonline foi um veículo de suma importância no caldo de cultura primordial da Internet brasileira e, quiçá, mundial. O veículo de fato inaugurava em outubro de 1998 um novo formato, o ezine, mailzine ou fanzine em suporte eletrônico. Era um caleidoscópio, um espelho quebrado de egotrips e opiniões motorizadas

pela testosterona juvenil - sim, temos conhecimento da presença de uma colunista, ou como prefeririam os autores do dito periódico, COLunistas, a hoje escritora e mãe Clarah Averbuck, que naquelas priscas eras apresentava, outrossim, níveis muito mais altos de masculinidade do que seus COLegas - que, no entanto, ganha foco sob o prisma pós-moderno. O COL engendrou imitadores na esteira de seus enfoques e desfoques, uma miríade de e-zines ou mailzines que colonizaram as mentes dos nerds pioneiros. Foi o blog avant la lettre. Foi o pai, a mãe e o filho do umbiguismo cultural rampante uma década depois. Destarte o interesse ora perseguido de analisar a escrita destes formadores de opinião pubescentes. Selecionamos o primeiro texto do COLunista Marcelo Träsel, tendo em conta a indiscutível importância histórica do mesmo. >DR. ZAPATA - O Nosso Bolchevique No título escolhido para sua coluna o autor já apresenta o leitmotif que balizará sua obra na maior parte dos três anos de duração do Cardosonline. A vida se encaminha muitas vezes diluída nas questões da modernidade. Os parâmetros se desfazem, é difícil encontrar um norte. Questões antigas - democracia, soberania, liberdade, a afirmação dos valores de um povo - ressurgem diante das nações como o fizeram em outros tempos. A globalização a tudo confunde e exige respostas a novos e a antigos desafios. Talvez nem tão novos. Talvez os mesmos de sempre. A diferença fundamental é que a luta pela liberdade já não ocorre de dorso nu e tanguinha. Nesse contexto excruciante, um jovem universitário volta seus olhos famintos de verdade e transcendência para o comunismo. Lênin. Trótski. Emiliano Zapata. Subcomandante Marcos. Apela aos bolcheviques e aos revolucionários mexicanos. >Dis Uêi Uálcs de Iumeniti Transformar-se ou transmutar-se? Mais que reles semântica, a indagação está no cerne da nossa experiência mesma. No caso, o autor cita o Angeli do magazine "Chiclete com Banana" para transmutar a língua inglesa em seus mínimos múltiplos comuns fonéticos, (re)significando e assim problematizando a questão do imperialismo ianque. >Domingo passado, como todo bom brasileiro, você também foi exercer sua >cidadania, utilizando-se do sagrado direito ao voto que a constituição lhe >garante. Até porque, se não aproveitasse tal direito, seria simplesmente banido >de qualquer concurso público e impossibilitado de candidatar-se a qualquer >cargo. Ou então, foi selecionado para colaborar com o processo democrático, >chegando na zona (eleitoral, pessoal, eleitoral) às 8hs da matina e saindo só >às 5hs da tarde, depois de passar o dia suando em bicas e dando à sua bunda um >certo formato cúbico, característico de traseiros que ficam muito tempo >sentados em cadeiras duras. Ou então, teve que agüentar a reclamação da galera >por causa daquele velho que levou 5 minutos para votar na urna eletrônica. E, >pior, esqueceu que o estado não fornece rango para os mesários e o babaca do >presidente de mesa, que certamente vota no PRONA, não te deixou sair nem para >comprar um lanchinho Dizzioli. Mas, tudo bem, nada como ser um cidadão que >colabora com a democracia. No microcosmo das relações familiares ou no macrocosmo das intrigas políticas, o que se dá é o enfrentamento encarniçado da célula com o organismo. A premissa original (e se eu me tornasse um mesário?) é grávida de gêmeas múltiplas. E se o funcionário se tornasse patrão? O lúmpen se tornasse aristocracia? E se o Outro se tornasse o Igual? Não surpreende que Porto Alegre, palco de tantas revoluções fracassadas, seja cenário desta fábula em que um filho da Fabico manipula uma narrativa para atingir liberdade, igualdade e fraternidade. Sem embargo, a imagem da cena eleitoral é a história de

todos que buscam. Logo, de todos que sonham. Logo, de todos nós. >Mas, afinal, que tipo de direito é esse, que o cara é obrigado a exercer? Votar >é direito ou dever? A julgar pelas penas impostas a quem não aproveita a chance >de escolher seu candidato, certamente um dever. Em qualquer país decente, >inclusive nos EUA, que nossos governantes tanto gostam de copiar, o voto é >facultativo. Quem se interessa por política, sente-se um cidadão responsável, >deposita seu voto na urna e ajuda a definir o futuro do país. Quem tá cagando e >andando pra isso pode ficar em casa tomando cerveja ou aproveitar o feriado na >praia, mas sabe que vai ser governado pelos que gostam de participar. Por quê >no meu Brasil varonil, salve! salve! não é assim? Simples: se assim não fosse, >as pessoas mais pobres, as mais ignorantes e as que moram longe das zonas >eleitorais não iriam votar. Ou vocês acham que um agricultor que mora no sertão >nordestino, não sabe ler nem escrever, ganha menos de 50 pilas por mês e passa >fome ia se interessar por eleger presidente? Geralmente eles nem fazem idéia de >quem está ocupando o trono no palácio do planalto, e certamente não gostariam >de sair de seu santo sossego e viajar quilômetros em caçamba de caminhão por >estradas esburacadas só pra votar num cara cujo nome vai esquecer assim que >deixar a urna, não fossem as sanções legais que acometem os não-votantes. >Acontece que os coronéis e a direita precisam desses votos para se >(re)elegerem. Portanto, acharam por bem colocar na constituição escrita na >abertura da era Figueiredo que o voto é um direito obrigatório, só para >garantir a transição "democrática". Afinal, depois de 20 anos de ditadura, >podia ser que o brasileiro tivesse perdido a vontade de votar. Se é real o sonho, não me assanho. Se o agora é utopia, não topo. Lutar pelas causas políticas é dissolver-se novamente em sua sacralidade totalizante, uma transubstanciação tão sedutora que a própria sobrevivência, ainda que acidental, é que torna-se desonrosa. Enquanto a fragilidade do humano se revela na inconformidade com as mazelas sociais e na escritura de panfletos que nunca serão fundamentais, a tenacidade sobre-humana ganha contornos palpáveis no enfrentamento dos moinhos de vento da política brasileira. ================= >Vocês viram? A RBS finalmente aprendeu. Naquela eleição para prefeito em que >Olívio, que estava dezenas de pontos abaixo de Britto até o dia D, acabou >tornando-se nosso alcaide e o barbudo dentuço ficou em terceiro, foi difícil >para o Sirotski e o Ibope explicarem a mudança na cabeça do eleitor. A mídia, ávida mídia, primeiro colocou Britto sobre um palco, depois no banco dos réus e agora no leprosário. Nas rodas intelectualóides, ao menos, a suposta intelligentsia galhofa do fenômeno político, considerado o mais recente capítulo da Grande História do Charlatanismo. Mas será mesmo? >Provavelmente, a maioria dos portoalegrenses errou ao marcar o voto na cédula, >ou todos ouviram uma voz lhes mandando mudar de candidato na hora em que >entraram na urna. E a comédia, onde há de estar? Na superfície da estética bovinoperiodística. Mas por detrás das ironias, hipérboles e metáforas, sob a fartura material advinda do newsbusiness, corre o arroio seco e árido do rancor das feras feridas. >Dessa vez, Sirotski >estava 15 pontos na >Nos últimos 7 dias, >Britto na liderança >conta 51% dos votos

foi mais esperto: uma semana antes da eleição, Britto frente de Olívio, e tudo seria decidido no primeiro turno. a diferença foi diminuindo ponto a ponto, até parar em por 5 pontos. Hoje, domingo, às 10:30hs da noite, Olívio e Britto 41%. Como é que vão explicar dessa vez?

Para fazer frente a tanta espetacularização hiper-real, nosso autor, epítome de uma Porto Alegre pós-eleitoral polarizada e grenalizada, precisa resgatar primeiramente a sua própria ferocidade, num processo pungente de desconstrução do sujeito e de seus referenciais, em pleno

Hades cloacal. A partir daí, e com o resgate de um sentimento de uma tribalidade até então sublimada, tão bem representada pelo uso da adaga e garrucha autóctones, é que se inicia a reação. ================= >Domingo, 9hs da noite. O brique acabou faz tempo, você já tomou aquela ceva na >Oswaldo e acha que sua noite vai se resumir a assistir a finaleira do >Fantástico e o Sai de Baixo. Esquece. Dirija-se até a Protásio Alves, 1333, e >aproveite uma noitada de domingo no Subjazz, regada a cerveja barata (Skol, >infelizmente, mas tb tem Budweiser), som eclético e sinuca, tudo isso na >agradável companhia da galera da cena clubber alternativete de Porto Alegre. O >lugar é um estúdio que abre para festas aos domingos à noite, quando geralmente >há shows de bandas dos mais diferentes estilos. Há uma mesa de sinuca (fichas >por R$0,50), pista e uma salinha ao fundo para aquele relax consagrado. A ceva >de 600ml custa R$2,00 , e o público feminino é ligeiramente maior que o >masculino. O bar não existe. A sinuca não existe. Os clientes e a cerveja também. Não existem. De ilusão em ilusão a biografia se revela. O bar é o verdadeiro eu por trás da máscara do personagem. O buraco é o vazio de uma existência anônima e solitária numa metrópole moderna. A cerveja é aquilo que somos realmente. >---Träsel A obra de Träsel não é um depositário, é sim um espelho para nosso aufklärung. E ao mirar nossa alma, que reflexo vemos: a alegria ou a vergonha? Deveras! --- Buarque

O GAROTO COM UM NINHO DE SPAGHETTI NA CABEÇA --Guilherme Pilla

Excepcionalmente hoje, o COLunista não escreve neste espaço.

AS AVENTURAS DO ALEMÃO DE PALA --Hermano Freitas * Coleguinhas A primeira vez que lembro de tê-la visto foi em um daqueles intermináveis plantões de depoimento do Daniel Dantas na Justiça Federal. Estava no meio dos poucos segundos do empurra-empurra em que

os advogados passam pelos repórteres, instantes que fazem valer horas de espera ou, pelo contrário, condenam as mesmas a terem sido gastas em vão, quando ela apareceu. Nem baixa nem alta, cabelo preto curto, o microfone de uma emissora de TV obscura, uma voz severa que emitia perguntas num sotaque carioca que não admite vacilo. Ia muito direto: - O seu cliente admite o desvio em contas? Só depois que arruinava tudo passando por cima de todo mundo cumprimentava os colegas, da mesma forma brutal com que fazia perguntas. Fiquei sabendo que seu portfolio inclui uma passagem por um clássico programa mundo cão, o que explica tudo. Logo percebi que ela tumultuaria toda e qualquer coletiva de imprensa em que estivesse. Por mais que a pauta fosse tranqüila e sem nenhuma necessidade de confronto, lá vinha, atrasado meia hora, aquele furacão moreno a serviço da informação para gerar um clima tenso. Em um simples balanço de resultados de uma operação da Receita Federal, inconformada em ouvir um "não divulgaremos maiores dados para não prejudicar as investigações", deu início a um tiroteio de queixas. - Fomos convidados para uma coletiva de imprensa, precisamos de TODOS os dados de que os senhores dispõem. Temos um papel a cumprir perante nosso PÚBLICO. É do tipo que se aproveita da boa educação dos outros. Acabou conseguindo o que queria, ou pelo menos parte, de um tímido auditor fiscal que nunca imaginara para um inocente convite à imprensa uma tal incomodação. A melhor, no entanto, aconteceu por estes dias. Estávamos esperando para ouvir o presidente do Supremo. Era o melhor, claro, mas vinha junto no pacote o presidente do Superior Tribunal de Justiça. Ouvíamos o homem como uma espécie de entrada antes do prato principal quando chegou o tornado da imprensa televisiva, atrasado como sempre, mas mais uma vez em cima. (Pensar em ser câmera desta pessoa me fez ter por um segundo simpatia com a classe, também conhecida como 'motoboys da imprensa'.) Ela tinha certeza de que estava diante do representante da corte máxima do país e foi logo perguntando de grampos, sem preliminares, como é seu estilo. - Ministro, o que o senhor tem a dizer sobre a decisão do STF? Muito educado, o presidente do STJ respondeu dizendo que não comentaria uma determinação do STF. É lógico, não é a sua corte, não existe qualquer motivo para tecer comentário. Inclusive, com isso, já dava margem a que se entendesse tudo, mas era sutileza demais para nossa heroína. - Mas POR QUE o senhor não vai comentar? A SOCIEDADE QUER SABER! A sociedade ainda não tinha tomado seus remedinhos naquele dia. Em algum momento alguém deve ter falado a ela sobre seu engano. Se recompôs e seguiu perguntando outra coisa, segurando o microfone, achando tudo perfeitamente normal. *

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Hamlet naturalmente não se chama Hamlet. Este foi o nome que dei a ele, sequer lembra em absoluto o original. É para preservar a identidade do repórter, que existe mesmo. Conheci Hamlet em frente ao Deic. Me chamou logo atenção que ele, um cara que já foi loiro e agora é grisalho, chamava os homens de "canalha" e às colegas de "criança", toda vez no tom mais sério que se pode imaginar.

Hamlet existe tanto que o governador José Serra, o Nosferatu, o conhece pelo nome. Na terceira vez em que o repórter insistiu na pergunta, o governador virou-se irritado para Hamlet: "o que é, fala Hamlet" e respondeu direitinho a pergunta. Repito, o governador de São Paulo sabia o nome do repórter. Na verdade, acredito até que chamá-lo pelo nome foi uma forma de intimidar, porque não duvidaria que o próprio governador saiba da maior excentricidade do Hamlet: ninguém, absolutamente ninguém, tem notícia de onde ele mora. Isso ele contou às gargalhadas, enquanto esperávamos uma coletiva. - Ligaram para o meu celular da redação. Eu não atendi, normal, estava fazendo outra coisa. O chefe de reportagem falou 'ah, é? vamos ver se não vai me atender.' E mandou um carro ir na minha casa me buscar. Os motoristas todos disseram 'mas a gente nunca pega o Hamlet em casa, ele sempre combina em um lugar perto, sempre num ponto diferente. Ninguém sabe onde ele mora'. O cara espumava, ficou três meses sem falar comigo e ainda me deixou 40 dias morando em Cuiabá. O Hamlet. Cheguei a ficar orgulhoso quando vi ele se abaixar para ver o que eu estava falando pra uma assessora do Lula. Como todo diabo velho, não despreza nenhuma concorrência. *

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Personas Me sinto enjoado toda vez que penso ou pronuncio as palavras "caso" e "Isabella". Não pela brutalidade da história em si - a de Ribeirão Pires, em que, segundo a polícia, o pai e a madrasta mataram e picotaram dois irmãos adolescentes e depois enfiaram algumas partes que não conseguiram ensacar ralo da casa adentro sem dúvida é muito pior, mas porque realmente a cobertura foi enfastiante e exagerada. Mas tergiverso. Um fenômeno que ficou pouco conhecido do público foram as "meninas do 9° DP". Depois de uns dias de cobertura 24/7, em que aqueles furgões das emissoras ficavam permanentemente estacionados na porta das delegacias - em especial na do Carandiru, onde o caso foi registrado - a aglomeração de populares começou a ganhar graça. Percebendo a oportunidade de aparecer ao vivo durante uma passagem e, eventualmente, talvez serem "descobertas" pra fama, algumas jovens começaram a chegar, sempre de duas em duas, toda arrumadas na sua melhor e mais sensual blusa e minissaia, exibindo uma forma muitas vezes ainda imatura. Ficavam na multidão meio de lado, displicentemente, esperando. Para meu espanto, não era apenas no Carandiru, as meninas começaram a aparecer em todos os lugares onde havia plantão de caso Isabella - em frente à casa dos Nardoni, em frente à casa dos pais da madrasta, IML, todo lugar em que havia uma equipe de TV pronta para entrar ao vivo. Depois de umas semanas aconteceu o que tinha que acontecer: vi uns câmeras botando a mão na barriguinha de uma delas e anotando o número, certamente para marcar um "teste". *

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Cheguei de Belo Horizonte e, depois de um dia, já tinha deixado tudo na boca. Batia a dor e pensava em como levantar mais algum dinheiro. Fiquei antena. Passou por mim uma mina com jeito de que ia até lá. Segui. Deu um galo e recebeu de volta mais de dez pedras. Foi até o beco pimpar. Eu fui atrás.

Olhou desconfiada mas, para minha supresa, não disparou. Usei uma cara de pidão para não deixar correr. Pareceu até gostar de mim, sorriu. - Acabou meu dinheiro - disse. Ela logo entendeu o que era. Estouramos as 15 pedras. Ficamos um tempo por ali. Contei minha história. Não sei quanto tempo ficamos nisso, mas já sentia de novo o cutuco. Ela queria beijo, dei um beijo nela. Quando terminou senti latejar lá embaixo, mas o crack já tinha me deixado há muito tempo sem condição. Olhei pra cara dela, era bonita. Dei mais um beijo e peguei com as duas mãos seu pescoço. Apertei com força. Ela começou a bater, botou a língua pra fora, ficou rôxa, babou um pouco, soluçou e, no fim, com uma cara de surpresa, se entregou. Deixei cair no chão. Tirei o sapato, as meias, a bermuda, a calcinha, a camiseta e o sutiã. Fiquei olhando o corpo dela. Era bonito aquele monte de pelinhos enrolados. Eu não acreditava no que tinha feito, mas era muito fácil. Era muito fácil e eu ia fazer de novo. (livremente inspirado em depoimento de Leandro Basílio Rodrigues à delegacia de homicídios de Guarulhos) *

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Pra alguns sorrirem outros têm que chorar, né. Essa é a vida. Neste caso da menina que jogaram da janela é que eu fiz dinheiro. Levava as meninas no táxi de lá pra cá, ia no IML, depois no Deic, depois no Carandiru. Elas diziam se eu esperava e eu respondia "não tem problema!", e dava lá, 180 paus. Ê, Nardoni. Neste eu fiz dinheiro. E pra vocês da imprensa também é bom que vocês ganham, né? Sensacionalismo. (livremente inspirado em conversa com um taxista) --Hermano

I AM IN HERE. Daniel Pellizzari

Adeus, DFW. E muito obrigado.

-*-

Hoje temos um continho, ó:

//METROID, 1989 Fica longe

daqui, a

montanha gelada

onde

vou

morrer.

Ainda não escolhi. Isso não quer dizer que ela não exista e muito menos que eu não vá morrer por lá. Aprendi meio cedo que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Estou aqui, a cidade está no mapa, estou com vida, a cidade tem montanhas. Existe um caminho entre mim e a cidade, entre meu quarto e a montanha, entre minha vida aqui e a minha morte lá. Isso não significa que só exista um caminho. Tudo são possibilidades. Uma coisa que dá tontura. Mas nem por isso vou sair por aí pedindo conselhos, até porque ninguém tem noção de nada. Não é porque fiz treze anos mês passado que sei menos coisas que meu pai, por exemplo. Estou de mal com ele há mais de um ano. Ele não entende nada. Nada. Mas eu também não. É outra coisa que aprendi bem cedo. Ser humano é estar confuso. Não. Ser humano e medíocre é fingir que não existe confusão nenhuma. Que está tudo bem, que tudo é fácil. Mas ser humano, humano mesmo, é admitir que não é assim. Admitir o fingimento e deixar só a confusão. E é bem isso que eu quero. Acho. Não tenho muita vontade nem de começar a fingir. E é por isso que vou pra cidade que tem as montanhas. E vou de carona. Pegar carona é a coisa mais fácil do mundo. Parece ainda mais fácil pra quem sabe que vai morrer, porque aí os riscos não são exatamente riscos. Mas ia ser bem horrível morrer antes do lugar e hora que combinei. Mesmo que eu só tenha combinado comigo. Imagina. Não que eu já saiba todos os detalhes. Só sei que vai ser na montanha gelada. Vou chegar perto do cume e sentar ao lado de alguma pedra. Se tiver alguma pedra por lá. Deve ter. Aí vou ficar olhando para o branco até a morte chegar. Acho que antes vou dormir, deve ser o que acontece quando a gente morre de frio. Depois a neve cobre o corpo e ninguém fica sabendo de nada. Eu sumo e pronto. Quando a gente pára e pensa nas possibilidades, nota que é fácil desaparecer e nunca mais ser encontrado. Mais fácil que pegar carona. Eu já tinha pensado nisso tudo várias vezes, nem lembro como começou. Mas só tive certeza quando meu vô morreu. Foi ontem. Era umas quatro da tarde e eu estava jogando Metroid quando ouvi umas risadas na sala. Umas risadas que não acabavam nunca, cada riso escalava o final do outro. Uma coisa interminável. Era meu vô, dava pra notar. E só tinha a gente em casa, mesmo. Mas sei lá, às vezes o dia tem essas coisas, essas surpresas. Tudo são possibilidades. Meu vô era legal. Ninguém sabe de onde ele veio, só que chegou aqui de navio e tinha catorze anos. Agora é que ninguém vai ficar sabendo, mesmo. Sempre que ficava sozinho, cantava umas musiquinhas que pareciam meio árabes. Ou judaicas, sei lá. Confundo. Sei que confundir isso é meio ridículo mas confundo, fazer o quê. Quando ele percebia que eu estava ouvindo, fechava a cara e me xingava de alguma coisa com aquele sotaque que ninguém sabia de onde era. Sempre rindo. Ele tinha cheiro de lustra-móveis, mas cheiros são como idades. Não querem dizer nada. Ele era bem magro e tinha uns cabelos despenteados, mesmo quando penteava. E sempre andava com um pente no bolso. Dá pra entender? Não tinha jeito. Dentes bem amarelos. E sempre que eu olhava pras mãos dele pensava em boxe. Meu vô vivia contando umas coisas que ninguém queria ouvir. Quase ninguém. Por causa dele, por exemplo, sei que as mulheres incas esmagavam batatas cozidas na cara de todos os homens narigudos que encontravam na rua. E que uma vez a inquisição espanhola condenou à morte todos os habitantes da Holanda.

Todinhos. E que num dos países da União Soviética, ele não quis dizer qual, existe uma seita que adora um deus com cabeça de galo, um deus que tem um dedo a menos e protege o mundo de um novo dilúvio. E mais um monte de coisas desse tipo. Uns dois dias antes ele tinha me contado a história de um filósofo grego. Um estóico. Acho que esses eram aqueles caras que viviam dentro de barris. Crísipo, o nome desse aí. Parece que morreu de tanto rir vendo um burro comer figos. Aí quando ouvi aquelas risadas, lembrei disso na hora. Larguei o controle e saí correndo. Mas não tinha burro nenhum na sala, só meu vô e as cadeiras de balanço. Ainda estava rindo bastante, cobrindo a dentadura com uma das mãos. Com a outra segurava uma revista, que estendeu pra mim sem parar de dar risada. Era uma revista esotérica, esses negócios que ele gostava de ler. Uma edição especial da Planeta. "Arqueologia Fantástica". Aquela eu já tinha lido, tinha um texto sobre os crânios de cristal. Adoro. Ele me estendeu a revista aberta, bem numa página com a propaganda de um livro sobre o Apocalipse. Dizia que estava próximo. Sempre dizem isso. É uma possibilidade. Tinha também uma figura bem grandona de Saturno. Assim, o planeta. Na hora não entendi muito bem o que uma coisa tinha a ver com a outra, mas hoje cedo andei pensando sobre isso e ficou meio óbvio. Saturno o planeta, Saturno o deus, Cronos, cronologia, tempo, enfim. Conhecer mitologia sempre ajuda. 'Não perca tempo!' Eram umas letras bem grandes, bem pretas. Aí tinha a capa do livro, que quase não dava pra ver porque se misturava com os anéis de Saturno, e mais texto numas letras menores. 'O fim está próximo! Peça já!' Acho que deu pra entender. Muitas exclamações. Só entendi o motivo de tanta risada quando meu vô apontou umas letrinhas bem pequenas, assim de lado num dos cantos da página. Até decorei: 'devido ao grande volume de pedidos, rogamos por sua paciência em caso de atraso na entrega do livro'. Era mesmo engraçado. Meu vô continuava rindo. Acho bom explicar que ele não ria que nem a maioria das pessoas. Uma vez, acho que eu tinha uns seis, sete anos, ele me falou que o destino de todo mundo é virar um idiota. Alguns percebem, outros não, mas todos acabam virando idiotas. Aí ele falou que o importante era lembrar sempre disso e tentar ser um idiota extraordinário. Acho que era por isso que ele ria daquele jeito. Um riso meio assim engasgado, que começava aos poucos. Um rá-rá que depois virava um rá-rá-rá e aquela coisa ia crescendo cada vez mais e ficando mais e mais e mais e mais alto e descontrolada. Era bem legal. Larguei a revista no colo dele e fiquei olhando aquilo. Esperando ele finalmente parar, recuperar o fôlego e dizer alguma das frases que vivia repetindo, umas coisas que nunca entendi direito mas gostava de ouvir assim mesmo. Tipo "multidões são vírgulas que desistem". Ou "sem misericórdia para quem vomita o próprio cabelo". Essa parecia tradução ruim, ainda mais com o sotaque. Mas ele não parava nunca de rir, e aí fez uns gestos que pareciam mímica. Fiquei olhando pras mãos dele, lembrando do Mike Tyson. Levei um tempinho pra entender que ele queria água. Quando cheguei na porta da cozinha ele parou de rir. Servi a água, bem gelada, e voltei meio com pressa. Vi a a revista no chão e meu vô na cadeira de balanço, quieto, de olhos abertos. Parecia que estava encarando a samambaia, mas ninguém encara samambaias. Quando cheguei

perto com o copo, ele falou uma coisa. "É como um fósforo se apagando". Bem assim. "É como um fósforo se apagando". Aí morreu, levando embora um mundo inteiro. Achei uma frase meio idiota, mas tudo bem. Não tinha mesmo como ganhar de "nem os esqueletos são eternos", minha preferida. Essa eu até anotei. Mas ele não disse mais nada, mesmo. Parou nessa do fósforo e ficou encarando a samambaia. Olhei mais uma vez pra Saturno na revista. "Não perca tempo!" Meu vô vendia perucas quando era novo. Aí voltei pro quarto e olhei pra imagem parada na televisão. Samus Aran em formato de bola. Tourian, última fase. Não consegui lembrar o telefone do trabalho da minha mãe. Desliguei o NES, fiquei olhando pra tempestade de neve do canal 3 fora do ar e bebendo a água que tinha levado pro meu vô. Bem devagarinho. Engolindo como se aquilo fosse outra coisa.

-*[10-set-08] --Daniel Pellizzari

I GIVE YOU MY PEN --Clarah Averbuck

OI TUDO JOIA eu só acredito nas coisas que acontecem. as coisas que são acontecidas não me servem para nada, não me movem e nem me interessam. pois uma coisa aconteceu. eu, uma amiga e a catarina fomos naquele show onde tocariam ben harper e dave matthew's band. fiquei deveras feliz quando soube que ben tocaria no brasil novamente, pois eu e meu esposo andávamos ouvindo suzie blue obsessivamente, tocando junto com as outras músicas que sempre tocamos madrugada adentro e gostando demais. já tinha acontecido um outro momento desses com o ben harper, quando debandei de porto alegre e repetia e it's so hard to do and so easy to say but sometimes you just have to walk away, sempre pensando na minha irmã que ficou lá, porque oh no - here comes that sun again and means another day without you my friend and it hurts me to look into the mirror at myself and it hurts even more to have to be with somebody else. enfim, fomos eu, minha amiga e a catarina e mais duas moças também broders e generosas que passaram aqui para dar uma caroninha amiga porque o show era na casa do grande caralho e nem dirigir eu sei. meu esposo estava em cuyaba sofrendo de calor e falta e ausência. pegamos um trânsito do cão, tinha jogo no estádio do morumbi naquele dia - depois perguntam por que não gosto de futebol - e depois de uma saga à parte que envolvia dar voltas sem saber para onde ir no meio da multidão, eu, minha amiga e a catarina

conseguimos finalmente encontrar a entrada de serviço e constatar que o show do ben estava quase no final. que tristessa. tudo bem, também gosto muito de dave matthew's band, tive inclusive mais momentos de repeats obsessivos do que com o ben harper, mas poxa. ouvir apenas três músicas não era justo. voltamos ao camarim, bebemos aquele jack daniel's e quando fui pegar um cigarro na bolsa vi que lá repousava um exemplar do cat life, meu livro traduzido que será lançado na inglaterra logo mais. pensei hmmmm, vou deixar esse livro pro ben harper, é capaz dele gostar. escrevi "this is me singin' the blues", fui até a porta do camarim e entreguei ao rapaz corpulento que lá se encontrava. e fui ali ver dave matthew's band, que foi incrível, com direito a ben harper voltando ao palco e eles todos mandando ver em uma versão de dez minutos de all along the watchtower. catarina nos meus ombros cantava em uma flor e me enchia de orgulho. acabou e fomos todos para casa dormir o sono dos bêbados e justos. * PAUSA PARA MANIFESTO: DEIXEM A TREMA EM PAZ E VIVA O ACENTO DIFERENCIAL * a vida tinha voltado ao normal no lar dos averbuck-lincoln, serviços de delivery, música, amor e diversão. eis que um número desconhecido faz tocar meu telefone. atendo. "oi, clarah, aqui é o herbert, eu trabalho com o ben harper" "ahn, oi" "parece que você deixou um livro pra ele, né? pois é, ele adorou e mandou te procurar porque quer te conhecer" depois fiquei sabendo que ele andava pelo estúdio da TEVÊ com o livro na mão perguntando se alguém me conhecia. o moço herbert me ligou mais umas vezes naquele dia, tentando combinar um encontro. eu sugeri de encontrar o ben no vmb mas ele preferiu que eu fosse junto com eles todos comer uma pizza. fomos eu e meu esposo. chegamos lá e o ben estava com o livro na mão. disse: "man, what's this? this is amazing, you're the female charles bukowski!" e ficava recitando trechos na mesa. "quando eu li essa parte pensei: essa pessoa SABE DA VIDA" eu estava transbordando em contentamento. perceba, eu vivo em um lugar onde NINGUÉM ENTENDE NADA. possivelmente você, leitor, não entende. onde todo mundo julga TUDO ERRADO. onde todo mundo faz tudo pelos motivos errados. parei de sair de casa e fico aqui no quentinho onde tudo é claro só com meu esposo e meus amigos porque não suporto mais. normalmente, quando chegam a mim, é para dizer VOCÊ NÃO PODE PENSAR ISSO e mais alguns impropérios infundados que mofam dentro das cabeças pobres das pobres pessoas que não sabem conviver com nada diferente delas sem apontar um dedo e gritar qualquer merda. é inútil dizer tudo isso. pensei antes de contar essa história porque não queria nenhuma mácula de nenhum idiota achando que era algum deslumbre. eu não trabalho com deslumbre. mas isso também ninguém entende, porque NINGUÉM ENTENDE NADA. e a melhor das coisas é encontrar alguém que entenda onde você menos espera. e eu encontrei o ben harper, que virou meu amigo não porque ele é FAMOSO, mas porque ele ENTENDE. foi absolutamente do caralho. porque ele entende. porque ele faz e sente. porque é outro nível de conversa quando a pessoa vem de um lugar onde não importa se você tem um BLOG ou doze tatuagens ou seja um bêbado ou uma garota ou um anão. BEYOND SURFACE, my friend. o mundo é um lugar horrível porque isso é raro. saber que existe gente assim faz dele um lugar um pouco menos pior e dá uma leveza no peito.

estava acostumada apenas a sentir essa leveza com gente morta. agora, como ben disse, faz algum bem saber que podemos sofrer juntos, ainda que não estando no mesmo lugar. o sofrimento vira uma outra coisa e tudo passa a fazer sentido. misery loves a simphony. A ÍNDOLE DA MULTIDÃO Há suficiente traição, ódio, violência, Absurdo no ser humano comum Para abastecer qualquer exército a qualquer momento. E Os Melhores Assassinos São Aqueles Que Pregam Contra o Assassinato. E Os Melhores No Ódio São Aqueles Que Pregam AMOR E OS MELHORES NA GUERRA -ENFIM- SÃO AQUELES QUE PREGAM PAZ Aqueles Que Pregam DEUS PRECISAM de Deus Aqueles Que Pregam Paz Não Têm Paz. AQUELES QUE PREGAM AMOR NÃO TÊM AMOR CUIDADO COM OS PREGADORES Cuidado Com Os Conhecedores. Cuidado Com Aqueles Que Estão SEMPRE LENDO LIVROS Cuidado Com Aqueles Que Ou Destestam A Pobreza Ou Orgulham-se Dela CUIDADO Com Aqueles Rápidos Em Elogiar Pois Eles Precisam de LOUVOR Em Retorno CUIDADO Com Aqueles Que Rápidos Em Censurar:

Eles Temem O Que Desconhecem Cuidado Com Aqueles Que Procuram Constantemente Multidões; Eles Não São Nada Sozinhos Cuidado O Homem Vulgar A Mulher Vulgar CUIDADO Com O Amor Deles Seu Amor É Vulgar, Busca Vulgaridade Mas Há Força Em Seu Ódio Há Força Suficiente Em Seu Ódio Para Matá-lo, Para Matar Qualquer Um. Não Esperando Solidão Não Entendendo Solidão Eles Tentarão Destruir Qualquer Coisa Que Difira Deles Mesmos Não Sendo Capazes De Criar Arte Eles Não Entenderão A Arte Considerarão Seu Fracasso Como Criadores Apenas Como Falha Do Mundo Não Sendo Capazes De Amar Plenamente Eles ACREDITARÃO Que Seu Amor É Incompleto ENTÃO TE ODIARÃO

E Seu Ódio Será Perfeito Como Um Diamante Brilhante Como Uma Faca Como Uma Montanha COMO UM TIGRE COMO Cicuta Sua Mais Refinada ARTE c. bukowski cuspiu c. averbuck traduziu * MANIFESTO: NÃO À REFORMA! SIM AO TREMA! VIVA O HÍFEN! UNA-SE À FORÇA DA RESISTÊNCIA * --Clarah

**********UNS ****BLOQUINHO ***CURTAMENTE por Guilherme *********Caon Trazendo hoje "UM BREVE ENSAIO SOBRE A CHINELAGEM AFU"* (Deixa eu te dizer como começa: abre a cena no pátio da casa dum cara, num fim de tarde onde ele tá recebendo a parentada pra um churrasco. O dono da casa, já bebum, começa a discorrer sobre o universo e coisicas afins.) Te digo uma coisa só, o Miéle é que era o cara. Mais mestre não tinha! Com aquele programa dele no cinco, o cara ganhava bem, dava audiência, todo mundo conhecia ele. Pior, passava o dia vendo mulher pelada. Chegava lá e dizia "mostra as teta aí minha filha, pra ver se tá premiado", o filho da puta. E fazia isso dum jeito tri elegante. É, tou te falando. O cara não parecia um cafetão, tá ligado. Ele era, mas ele não parecia! Era todo cheio da pose, aquela vozona grave, parecia um motor de maverick falando. Foda. Ele tinha aquela manha toda classuda pra tratar o pessoal, e isso não tem mais. Putaria tem em tudo que é canto. Tá vendo essa guria do tempo aí? Se bobear, amanhã botam até ela com os peitos de fora. Antes tu tinha que esperar chegar a madrugada, e se fosse um guri, que nem tu, a mãe expulsava da sala pra não ver o coqueteta. E tinha até um apelo cultural, a coisa. Tinha as representantes de todos os estados. Aprendi que tinha Amapá vendo aquilo. Tu sabia? Além disso, o cara foi um pioneiro. Ele já tinha mulher com nome de tudo que era fruta,

antes das mulher-melancia, jaca, lima azeda que tem hoje. Rei, tou te dizendo, o cara era rei. Aí agora tem que aguentar esses aí falando sobre essa desgraceira toda. É claro que a cidade tá violenta, minha filha. Aqui na frente a prefeitura demorou dois meses pra trocar a lâmpada do poste, os filhos da puta. O vizinho aqui ligou berrando pra eles, dizendo que ia chamar o Diário Gaúcho e tudo. Aí vieram que eram uns doces, fizeram tudo rapidinho. Aí tem mais esse bando de vagabundo morando por aqui, tá sempre dando problema. Esses dias levaram o bujão de gás da dona Teresa, ali na esquina. Foda. Ela diz que foi até o portão, e quando voltou não tava mais. Tem que botar um merda desses a apanhar até não poder mais. Sabe o que que precisava nesse jornal? Mostrar uns presuntos que tomaram uma ruim, que nem no Polícia em ação, tá ligado? O cara tem é que chinelear esses vagabundos mesmo. Aposto que mané ia entrar na linha rapidinho. Pega e faz um troço tipo o programa do Alborghetti. Aquele vídeo que ele fica dando porrada com um taco na mesa até dar cãibra é foda. Ele ainda fica gritando "cadê meu pau? cadê meu pau?". Muito bom. Vê um pedaço dessa costela aí. .. .. Aí tem essa história que também passou na tevê esses dias, um guri tá dizendo que foi assaltado por quatro loira de peito de fora. Tá bom, vou acreditar. O mané fica aí se emaconhando e vem com essa merda dessa historinha de desculpa pra não ter que falar que rateou. Imagina, tu vem andando na rua, aí vem quatro pampacat de peito de fora berrando pra ti "perdeu, playboy! perdeu"! Ó a cena. Que que tu ia fazer numa hora dessas? Eu deixava elas levarem até meu cartão do Nacional. Se bobear ia ficar gritando cadê meu pau? Cadê meu pau? Rará. Ia chegar na delegacia avisando que eu tinha sido nocauteado por oito peitão, com um riso de orelha a orelha. Mas do jeito que eu tou fudido de grana, acho que uma daquelas só chega perto de mim se eu ganhar na mega-sena. Sifudê. .. .. Todo mundo que ganha essa bolada diz que ia ajudar fulano, ah vá tomar no cu. Eu tou cagando, ia era gastar esse dinheiro pra viver um vidão! Nem me importa se me achassem o cara mais filho da puta do universo. Sabe o que que eu ia fazer? Sem essa historinha de mansão, eu ia comprar uma porra dum castelo! Com aquela água em volta e tudo. Aí, um belo dia, eu ia sair na janela e ia ter um monte de gente indignada comigo lá fora, gritando pra mim "fiadaspuuuuuta" porque eu não tinha ajudado ninguém e eu ia dizer sou sim, mas vem atravessar o riozinho cheio de jacaré aqui, merda! Vão tudo tomar no cu! Ia botar uma placa na frente do castelo dizendo "Jorge, ganhou na mega-sena e tá cagando pra ti". Rára. E ia encher o castelo de coqueteta. Ia ter todas lá, pêssego, uva, laranja. Se bobear, até o Miéle eu trazia, só pra ver ele dizendo aquela coisa da teta premiada. Era muito engraçado, cara, puuuutz! Sabe o que podia ter também? Uma banheira de coca-cola. Sempre quis ter uma! Imagina só, um banheiro cheio de mármore por tudo e eu lá peladão fumando um charuto e mergulhado no refri. Pior! Sabe o que que eu podia fazer? Botava lá na banheira a coqueteta limão! Aí ia brincar de pepsi twist, tu ia ver só! É tri bom ter um objetivo na vida. .. ..

*a partir de notícias retiradas de sites da grande mídia. Feliz dia da marmota pra vocês. Feliz fim da adolescência. --Caon

COL: ALCOVITARIA PÓS-MODERNA, INC. --Catarina Cristo ---------- Forwarded message ---------From: Catarina Cristo Date: 2008/8/26 Subject: centenário To: [email protected] Cardoso, Em cinco de outubro, quando estivermos todos comemorando o centenário do Col em edição especial, aqui em casa estaremos comemorando também. E por causa do Col. Uma vez vc escreveu em seu blog que tinha vontade de saber o que acontecia em lugares como Sergipe. Desde esse dia lhe devo esse email, pra lhe dizer que, em Sergipe, aconteciam coisas como gente namorando por causa do Col. E, em outubro, o namoro vira casamento. E eu nem me lembrava que era o mesmo mês do centenário do Col quando marquei a data. Mas o caos trabalha a nosso favor. Eu e Amaral nos conhecemos na Colmunidade, que era divertidíssima. Era um tempo delicioso. Dois Col por semana, 200 emails por dia e conversas no ICQ. Amaral é de Aracaju e eu aqui do Recife. A gente começou conversando na lista, sobre o Col e muitas outras coisas, fomos pro PVT e o resto é história. Ele já se mudou pra cá faz quatro anos e, em 25 de outubro, vira coisa de fato e de direito. O Col foi uma idéia iluminada. Tenho certeza que foi importante na vida de vcs que escreviam nele. É uma referência na história de internet, virou referência na vida profissional de vcs. Fico muito feliz de ver quanta gente boa saiu dali e tenho orgulho de dizer que acompanhei isso. Mas o Col também foi muito importante na vida de muita gente muito distante. Está na nossa história para sempre. Sempre lembraremos de onde viemos. Comemoremos, porque centenário e casamento são coisas a se comemorar. Um abraço, --Catarina Cristo

CardosOnline fanzine por e-mail edição especial comemorativa do centenário http://qualquer.org/col Staff: Vivendo no Bom Fim: André Czarnobai ([email protected]) Pescando de arpão: Daniel Galera ([email protected]) Sorrindo amistosamente: Guilherme Pilla ([email protected]) Barbeando-se a laser: Marcelo Träsel ([email protected]) Domesticando bebês: Daniel Pellizzari ([email protected]) Cronicando a profissão: Hermano Freitas ([email protected]) Lisa Marie Smith: Clarah Averbuck ([email protected]) Jeff Goldblum: Guilherme Caon ([email protected]) Colaboradores: Contraindo matrimônio: Catarina Cristo ([email protected]) Para cancelar a assinatura e parar de receber o COL, basta enviar uma mensagem com o assunto: CHEGA! para o [email protected]