4 Pesquisa de campo A escolha da amostra e justificativa da escolha

1 4 Pesquisa de campo 4.1 Metodologia da Pesquisa A pesquisa de campo realizada caracteriza-se, pela sua metodologia, como qualitativa, exploratória ...
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4 Pesquisa de campo 4.1 Metodologia da Pesquisa A pesquisa de campo realizada caracteriza-se, pela sua metodologia, como qualitativa, exploratória e descritiva. A pesquisa qualitativa pode cobrir uma ampla gama de assuntos e pode estudar mais a fundo as percepções dos entrevistados sobre o tema pesquisado, ou os produtos existentes no mercado, segundo Baxter (1989).

4.1.1

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A escolha da amostra e justificativa da escolha

A pesquisa entrevistou consumidores veganos sobre o seu modo de consumo, veganos que, pelo seu discurso, já praticam um consumo ético e sustentável. Assim, analisou-se, a partir de suas respostas, seu modo de consumo de vestuário. As entrevistas foram realizadas com (10) consumidores veganos, de ambos os sexos, formadores de opinião, palestrantes no 12° Festival Vegano Internacional que se realizou no período de 22 a 25 de julho de 2009, na cidade do Rio de Janeiro. Os entrevistados foram convidados para apresentar suas propostas, críticas e estudos sobre a filosofia de vida do veganismo nesse Festival Internacional porque eles são referência nacional sobre o assunto. Os entrevistados são palestrantes em diversos eventos que tratam de questões sobre direitos dos animais, ética ambiental, abolicionismo, veganismo e outros temas que envolvem especismo, ecofeminismo e direito ambiental. A amostra é um exemplo de uma categoria de consumidores que tem um discurso que costuma apresentar contornos nítidos, com ênfase na dimensão ética. Teve-se como pressuposto que, nessa amostra, estaria presente o consumo ético e sustentável que se aproxima da proposta da ética ambiental biocêntrica e dos princípios de sustentabilidade sócio-ambiental.

2 4.1.2 Instrumento e técnica de análise dos resultados

A pesquisa foi orientada por um questionário que deu suporte às entrevistas semi-estruturadas (anexo X), de acordo com os objetivos do projeto. Com os dados coletados foi desenvolvidada uma análise de conteúdo. “Análise de conteúdo”

é “uma técnica de pesquisa para a descrição

objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo evidente da comunicação” (BERELSON in SELLTIZ et alii, 1965, p. 391), e é “a técnica mais difundida para investigar o conteúdo das comunicações de massa, mediante a classificação, em categorias, dos elementos da comunicação” (ANDER-EGG in MARCONI E LAKATOS, 1996, p.118)) Sintetizando o procedimento: o conteúdo da comunicação é analisado por PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

meio de categorias sistemáticas, previamente determinadas, que levam a resultados quantitativos. Pode-se analisar dessa forma o conteúdo de publicações, sobre o tratamento de grupos minoritários, sobre técnicas de propaganda, mudanças de atitudes, alterações culturais, apelos de líderes políticos aos seus simpatizantes, etc. Da mesma forma, pode-se analisar documentos, entrevistas, diários, textos, entre outros. Nesse trabalho, aplicou-se a técnica da análise de conteúdo na apreciação das respostas subjetivas dos entrevistados, estabelecendo-se as categorias de classificação do conteúdo das respostas e as quantificando, o que permitiu, ao final, também esse tipo quantitativo de análise. Para Marconi e Lakatos (1996), trata-se de uma técnica que vem se desenvolvendo bastante nos últimos anos, pela sua utilidade e amplitude de aplicação.

4.1.3 Etapas e procedimentos

1. Elaboração, a partir dos objetivos da pesquisa, do questionário que orientou as entrevistas.

3 2. Testagem prévia do questionário elaborado, aplicado-o a cinco pessoas que compõem o universo vegano. Esse procedimento permitiu identificar e reelaborar questões dúbias ou mal formuladas. 3. Realização das entrevistas durante o 12° Festival Vegano Internacional realizado no período de 22 a 25 de julho de 2009, na cidade do Rio de Janeiro. 4. Análise de conteúdo, incluindo tabulação dos dados, formatação dos resultados e apreciação do conteúdo das comunicações. 5. Redação das conclusões.

4.1.4 Questionário

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Idade:

Sexo:

Estado civil:

Filhos: ( ) não ( ) sim

Formação: Profissão:

1. Você considera importante, se preocupa com a roupa que compra e veste? ( ) Sim ( )Em parte

( ) Não

Por quê?

2. Dentre os seguintes tipos de roupa, qual você mais veste? ( ) básico ( ) de moda (de acordo com as tendências) ( ) de vanguarda ( ) estilo próprio ( ) outro. Qual? Se quiser, comente sua resposta.

3. Qual a principal razão pela qual você deixa de usar uma roupa e compra outra?

4. Por quanto tempo, em média, você usa uma roupa?

5. O que você faz com as roupas que não usa mais?

4

6. O que você considera ao comprar uma roupa?

7. Você considera, ao comprar, a origem da roupa (onde é fabricada) e o material de que é feita? Origem: ( ) Sim ( ) Não

Por quê

Material: ( ) Sim ( ) Não

Por quê?

8. Quanto você gasta na compra de roupas, em média, por mês?

9. Você compra roupas em brechó (de segunda mão), troca roupas com amigos ou aluga? Compra em brechó:

( ) Sim ( ) Não Por quê? Troca roupas com

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amigos (as): ( ) Sim ( ) Não Por quê? Aluga roupas:

( ) Sim ( ) Não Por quê?

10. Você acha que poderia comprar menos roupas do que compra? ( ) Sim ( ) Não Se quiser, comente sua resposta.

11. Você tem cuidados com a manutenção das roupas? (X) Sim ( ) Não Por quê? Se sim, quais são os principais cuidados?

12. O que você acha de propostas para o vestuário como: um sistema estruturado para aluguel de roupas para o dia-a-dia, venda e troca de roupas usadas, manutenção das roupas, reciclagem das roupas após uso, roupas com tecidos orgânicos e tingimentos naturais, entre outros?

13. Você considera que conhece os princípios para a sustentabilidade sócioambiental? ( ) Sim ( ) Não

5 14. Você aplica, no seu cotidiano, princípios para a sustentabilidade sócioambiental? ( ) Sim ( ) Não Dê exemplos: 15. O que você pensa sobre o atual sistema da moda?

16. Você acredita que contribui com a sua comunidade na busca por um modo de vida mais adequado à sustentabilidade sócio-ambiental? De que forma(s)?

4.1.5 Limitações da Pesquisa

As limitações da pesquisa se encontram no baixo grau de generalização PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

das conclusões devido, principalmente, ao número pequeno de entrevistados, como costumam ter as pesquisas qualitativas.

4.2 Resultados e discussão dos resultados

Buscando favorecer a compreensão dos resultados e sua discussão, apresentar-se-á, para cada item do roteiro de entrevista, a tabulação das respostas e, logo a seguir, a discussão desses dados. Uma discussão mais ampla e abrangente será feita no item Considerações Finais. Quadro 1: Dados pessoais dos entrevistados N º 1

Idade

Sexo

46

M

Estado civil Solteiro

Filhos

2

49

M

Casado

3

3

49

M

Casado

2

4

55

F

Solteiro

0

0

Formação

Profissão

Mestrado e Doutorado em Filosofia Mestrando em Direito Doutor em Design Industrial Graduação em Letras

Perito Criminal Promotor de Justiça Professor de ensino superior - Design Ativista em prol dos animais e tradutora

6 5

29

M

Solteiro

0 (mas pretende ter) 1

6

54

F

Divorciad a

7

45

F

Solteira

0

8

66

F

0

9

45

F

Divorciad a Casado

1 0

55

F

Viúva

0

0

Mestre e doutorando em Direito Doutora em Ciências Humanas Jornalismo

Professor de ensino superior - Direito Professor de ensino superior - Direito Jornalista e ativista 2º grau Arte e Ativista em decoração direito animal Mestre em Ativista biologia voluntária em direito animal Doutora em Professor de Filosofia ensino superior -Filosofia

Os entrevistados têm idade entre 30 e 70 anos, sendo que nove (09) deles PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

com formação de nível superior e metade dos dez (10) são doutores. Apenas três (03) deles têm filhos e um (01) pretende ter. Os demais, seis (06) entrevistados, não têm filhos e nem pretendem ter. QUESTÃO 1. Você considera importante, se preocupa com a roupa que compra e veste? Por quê?

7 Quadro 2: Importância e preocupação com a roupa que compra e veste Entrevistado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 TOTAL

Sim X

Em parte

Não X

X X X X X X X X 9

0

1

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Quadro 3: Razões da importância da roupa que veste Ideia Central das Respostas Revela nossa identidade

Nº % 3 30,0

Porque é preciso conforto no vestir

3 30,0

É um instrumento de comunicação.

2 20,0

Razões estéticas

3 20,0

Respostas Literais O modo de se vestir é muito importante. Através da roupa a gente pode mostrar quem é, revela o ser, nossa identidade. (E3) Vestir-se tem a ver com a personalidade. Através da vestimenta apresentamos parte da nossa identidade, (E6) As pessoas se apresentam com as roupas, por isso elas são importantes. (E8) Não me preocupo com o que visto, apenas quero me sentir confortável. Devido a minha profissão tenho que me vestir de forma muito formal, mas não gosto de me vestir assim. (E2) Não gosto da roupa de moda. Se pudesse só usaria túnica ou sunga. O conforto é super importante. A roupa no dia-a-dia é uma exigência social, uso terno devido à profissão. (E5) Gosto de me vestir de forma prática e confortável, (E8) O vestuário é uma forma de linguagem. E, como qualquer outro instrumento de comunicação com o mundo, deve ser levado a sério. Podemos ilustrar isso com um caso prático, o profissional: se nos vestimos um pouco melhor do que aqueles que estão nos ouvindo, passamos maior credibilidade ao que está sendo dito aos outros. (E1) ...ou transmitimos aquilo que queremos sobre nosso modo de ser pelo ato do vestir. (E6) Ser estético, mas com harmonia, mais limpo, sem ruído, cores agradáveis. Elegância simples,

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8 nada gratuito, roupa não cara, sem luxo, apenas prática (E3) ...de acordo com o que acho estético para mim... (E9) Preocupo-me com a matéria-prima, com o design da roupa. (E5) Pois a partir do que visto apresento minha base ética. Uso roupas legais, que gosto, mas que não tenham materiais de origem animal em sua composição. (E7) Preocupo-me com a matéria-prima, com o design da roupa. (E5) Gosto de me sentir bem com a forma que me visto. (E4) ...que eu me sinta bem e que tenha a ver comigo. (E9) Somos julgados pela nossa aparência, portanto o nosso modo de vestir pode fazer com que sejamos aceitos ou rejeitados socialmente. (E6)

Razões éticas

2 20,0

Bem estar

2 20,0

Aceitação ou rejeição social

1 10,0

Razões místicas

1 10,0

Cada dia tem uma energia diferente, penso na roupa, no conforto garantido, nas cores (disse que estudou sobre a energia das cores e que para cada dia tem uma cor, exemplo: nas quintas é dia do azul, também dia de São Miguel de Arcanjo). As cores das roupas são muito importantes para mim, gosto de preto, básico, energia que sinto no dia. Terças (Martes) é o vermelho, muita energia para o dia. Tenho que ser guerreira no dia a dia, as cores me ajudam através das roupas. (E8)

Porque a roupa tem relação com o estado de espírito.

1 10,0

Vestir-me é um momento especial para mim. Visto-me de acordo com o meu humor. O vestirme é importante, tem relação com o estado de espírito. É o momento de pensar em mim, como me sinto para então escolher o que vou vestir e como eu vou me apresentar. (E10)

Obs. Se fosse efetuada a soma dos percentuais dessa tabela, e de todas as demais que vêm a seguir, ela seria superior a 100 %. Isso acontece porque os percentuais foram calculados sobre o número de entrevistados, e não de respostas dadas à questão, e cada entrevistado teve liberdade para dar quantas respostas quisesse a cada questão. Apenas um entrevistado (E2) disse que não dá importância para o que veste, mas se atentarmos para a resposta, ela equivale a um “sim”, na medida em

9 que ele fala da importância que dá ao conforto no vestir. Os demais disseram que a roupas têm importância sim, principalmente porque é com a roupa que a pessoa se apresenta para as outras, ela traz várias informações sobre a pessoa que a veste. Dos entrevistados, (03) disseram que se vestir bem é importante para que se tenha credibilidade quando está se apresentando para o público, palestras, aulas, entrevistas, entre outros. Razões estéticas e éticas também são citadas como importantes na escolha das roupas ao se vestir, bem como o bem estar, que para os veganos, segundo foi observado durante as entrevistas, é decorrente da harmonia entre as escolhas estéticas aliadas com a ética. A questão da aceitação ou rejeição social é levantada pelo entrevistado (E6), “somos julgados pela nossa aparência, portanto o nosso modo de vestir pode fazer com que sejamos aceitos ou rejeitados socialmente”. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

O ato do vestir é considerado especial para o entrevistado (E10), que se veste de acordo com o seu humor, tem relação com o estado de espírito. “É o momento de pensar em mim, como me sinto para então escolher o que vou vestir e como eu vou me apresentar”. Ou seja, segundo o entrevistado, a importância do vestir se dá por ser uma forma de apresentar o seu estado de espírito para as pessoas, através das roupas. QUESTÃO 2. Dentre os seguintes tipos de roupa, qual você mais veste?

10 Quadro 4: Tipos de roupa que mais veste Entrevistado

Básico

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 TOTAL

X X X X X X X X X X 9

De moda (conforme as tendências)

De vanguarda

Estilo próprio

Outro. Qual?

X X X 0

0

3

0

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Obs. Nessa tabela, o total geral de respostas é 13 porque três entrevistados deram duas respostas cada um, ao invés de uma.

Quadro 5: Comentário sobre tipo de roupa que veste Ideia Central das Respostas Vestir-se esteticamente bem

Nº % 4 40.0

Não gosta de roupa de moda

3 30,0

Obrigação profissional de vestir-se formalmente

2 20.0

Respostas Literais Gosto de roupas simples, mas estéticas, agradáveis e confortáveis. (E3) Mas gosto de cuidar com o que visto e me vestir bem conforme meu gosto. (E6) Gosto de me vestir de forma básica, roupas discretas, mas bonitas. (E7) Gosto de me vestir de forma básica, mas bonita. (E10) Não gosto do que está na moda. Não dou importância para roupas de marcas famosas. (E5) Gosto de me vestir de forma pessoal, não gosto do que está na moda. (E8) Não gosto do que está na moda, muitas vezes gosto do que está “fora de moda”. Não dou importância para marcas, griffes. (E10) Gosto de me vestir de forma confortável, mas tenho que me vestir de forma formal devido ao meu trabalho. (E2) (A roupa no dia-a-dia é uma exigência social, uso terno devido à profissão). Minha roupa é 60 % social terno e gravata, 30 % estilo próprio e 10 % super confortável para ficar em casa. (E5)

11 Gosto pela roupa confortável

2 20,0

Gosto por roupas orgânicas e fibras naturais

2 20,0

Gosto de me vestir de forma confortável, mas tenho que me vestir de forma formal devido ao meu trabalho. (E2) Gosto de roupas simples, mas estéticas, agradáveis e confortáveis. (E3) Gosto de roupas orgânicas e fibras naturais, e procuro saber de onde vem a marca das roupas quando vou comprar. (E4) Gosto de roupas orgânicas e fibras naturais, saber de onde vem a marca. (E9)

Todos disseram que usam peças básicas e, (03) entrevistados, além das peças básicas, procuram se vestir com um estilo próprio, com alguns detalhes que personalizam as roupas, ou seja, para que a roupa tenha a “cara de quem a veste”. Embora os entrevistados optem por roupas básicas, a questão estética aparece como sendo um quesito importante na escolha de suas roupas. Ou seja, os PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

veganos, assim como outros consumidores escolhem as roupas considerando a agradabilidade das mesmas. Além disso, (3) dos entrevistados dizem que não gostam do que está na moda e não dão importância para roupas de marcas famosas. Preferem se vestir de forma pessoal, e muitas vezes gostam do que está “fora de moda”. Evitar consumir uma estética efêmera e comprar de acordo com o gosto pessoal contribui para que as roupas sejam usadas por mais tempo. QUESTÃO 3. Qual a principal razão pela qual você deixa de usar uma roupa e compra outra?

12

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Quadro 6: Razão para deixar de usar uma roupa e comprar outra Idéia Central das Respostas Desgaste

Nº % 10 100,0

Deixar de gostar

5 50,0

Não servem mais

2 20,0

Mudança de estado de espírito

1 10,0

Respostas Literais Desgaste (E1), (E4) Deixo de usar minhas roupas apenas pelo desgaste, quando não dá mais para usar. (E2) Troco as roupas porque estão desgastadas. (E3), (E6) Troco por causa do desgaste, furos. (E5) As roupas duram por muito tempo, assim podemos usá-las durante anos. Troco pelo desgaste. (E7) Troco as roupas porque estão velhas, pelo desgaste. (E8) A razão é o desgaste. (E9) Troco as roupas porque estão desgastadas ou deformadas, pois tem peças que depois de algumas lavadas deformam e não dá mais para vestir. (E10) ou se deixo de gostar dela, são somente estas razões que me fazer deixar de usar uma roupa. (E4) ou algumas vezes canso de certas roupas (E6) ...ou em alguns casos, poucas vezes, quando acho que não fica bem em mim uma roupas que comprei. (E8) Deixei de usar couro, assim doei tudo que eu tinha com este material. (E9) Algumas vezes canso, ou desgosto de certa cor. Quando terminei o doutorado me dei conta de que eu só usava preto. Dei um tempo no uso de roupas pretas, mas depois aos poucos voltei a usar. (E10) ... porque não servem mais, quando eu engordo. (E3) ... ou quando não serve mais. Quando engordo ou emagreço. (E5) ou quando quero mudar de estado de espírito. As roupas podem representar como nos sentimos. (E7)

O desgaste físico (puída, desbotada) da peça é a principal razão da troca, depois vem o desgaste estético, não gostam mais de determinada cor ou modelo da peça. Peças com couro ou outros materiais de origem animal também são doadas.

13 Ao usarem suas roupas até o desgaste, pode-se afirmar que os consumidores veganos (pelo menos os da amostra dessa pesquisa) estão de acordo com os princípios da sustentabilidade ao utilizarem os produtos pelo máximo de tempo possível. As razões estéticas para o descarte, respostas em segundo lugar de frequência, parecem coerentes com as respostas dadas na questão anterior, quando 40% dos entrevistados comentaram sobre as razões estéticas para escolher uma roupa. Outra razão de descarte é quando as roupas não servem mais, porque engordam ou emagrecem. Ou ainda, conforme um entrevistado (E7), a troca também pode acontecer para uma mudança de estado de espírito. Pois para ele, “as roupas podem representar como nos sentimos”.

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QUESTÃO 4. Por quanto tempo, em média, você usa uma roupa? Quadro 7: Tempo de uso das roupas Ideia Central das Respostas Depende da roupa, mas é por muito tempo (10, 15 anos)



Respostas Literais

5 50,0

Depende da roupa, mas uso a maioria por muito tempo. Tenho peças com mais de 15 anos que estão boas e continuo usando até que estejam desgastadas ou então ficarem pequenas. (E3) Depende da roupa, mas uso a maioria por muito tempo. Tenho peças com mais de 5 anos que estão ótimas, outras tenho a mais tempo, não sei precisar a idade de todas, mas sei que duram muito e continuo usando até que estejam desgastadas ou então quando vejo que faz muito tempo que não uso certas roupas. Aí é o momento de passar a diante, pois provavelmente não usarei mais. Quando compro algumas roupas e faço doação da que tenho e não estou usando, não gosto de ter muitas roupas, então entra uma e sai uma, para não aumentar o número de peças. (E6) Depende da roupa, mas a maioria das peças por 3 anos, mas algumas por mais de 10 anos. (E7) Depende da roupa, mas uso a maioria por muito tempo. Tenho alguns casacos de 15 anos, ou mais e ainda os uso. Gosto das roupas que tenho, pois só as compro porque elas têm características que me agradam e por isso fico com elas enquanto durarem. (E10)

14 A maioria da peças por 10 anos, mas algumas duram mais tempo e outras como camisetas menos. Tenho um pijama de 16 anos, tem furo, mas continuo usando, pois é muito confortável. (E5)

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Em média de 3 até 5 anos

5 50,0

A maioria da peças por 3 a 5 anos, mas algumas duram mais tempo. (E1) Depende da roupa, mas a maioria da peças por 3 a 5 anos, mas algumas por mais tempo, e outras menos, como roupas íntimas e camiseta de malha. (E2) A maioria da peças por 4 a 5 anos, mas algumas duram mais tempo, 20 e 30 anos. Como meu corpo não mudou de tamanho, por isso as roupas continuam me servindo, uso realmente roupas de 20 a 30 anos atrás, pois elas continuam em condições de uso e são modelos básicos, não de moda. (E4) Depende da roupa, mas a maioria das peças por 5 anos, mas algumas por mais de 10 anos. (E8) A maioria da peças por 4 a 5 anos, mas algumas duram mais tempo e outras menos, depende do tipo de roupa. (E9)

O tempo de uso das roupas é longo, segundo os entrevistados. Camisetas e peças íntimas costumam durar menos, mas jaquetas e casacos e algumas calças são usados durante muito tempo, pois a durabilidade é muito maior. Durante a entrevista, alguns entrevistados comentaram que evitam comprar algumas roupas de tecidos sintéticos que, após algumas lavagens, parecem deformadas e desgastadas, pois apresentam “aquelas bolinhas”. Esse modo de consumo, procurando manter suas roupas pelo máximo de tempo possível, durante anos, até o desgaste, reforça a coerência do discurso vegano, entre os entrevistados, em evitar causar mal à natureza, aos animais e, por consequência, aos humanos. Conforme Capra (1996), tudo está interligado, é a teia da vida. A prática de cada um tem consequências para os demais.

QUESTÃO 5. O que você faz com as roupas que não usa mais? Quadro 8: Destino das roupas que não se usa mais Ideia Central das Respostas Doação para

Nº 9

Respostas Literais Costumo doar minhas roupas descartadas para

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15 instituições beneficentes e/ou pessoas necessitadas

90,0

Reutilização

4 40,0

Doação para ajudar os animais

4 40,0

Passa para alguém da família

2 10,0

um albergue (para moradores de rua). (E1) Faço doação para campanhas que arrecadam roupas para pessoas que necessitam. (E2) ...faço doações para as entidades que distribuem para pessoas necessitadas (E3) Faço doação para pessoas que precisam... , para entidades que mantêm brechós para ajudar pessoas que invadem casas, prédios abandonados, (E4), (E9) Faço doação para as entidades que distribuem para pessoas necessitadas (E6) Faço doação para campanhas que arrecadam roupas para pessoas que necessitam. (E7) ... ou para pessoas que necessitam. (E8) Faço doação para as mulheres que trabalham na minha casa, que cuidam da minha mãe idosa, elas levam para elas ou para alguém da família. Ou faço doação para a Colônia Santana (um sanatório perto de Florianópolis). (E10) ...também reutilizo como pano de limpeza quando se trata de um tecido adequado para isso. (E4) ... deixo no sítio para usar, ou pano de limpeza (E5) Levo para o sítio (E8) ...estou acumulando as peças de maior valor para um brechó animalista (que reverte sua venda para os animais abandonados na minha cidade). (E1) ...ou para pessoas que fazem bazar para arrecadação de recursos para proteção animal (E6) ...ou para brechós que arrecadam dinheiro para ajudar na causa da proteção animal. (E7) ...ou faço doação para campanhas que arrecadam roupas para protetores de animais, ativistas (E8) Algumas roupas minha esposa passa a usar, quando ficam pequenas para mim...... confesso que tenho resistência em doar as roupas para pessoas estranhas, prefiro dar para alguém da família, pois tenho afeto por elas. Cada roupa me lembra algum momento da minha vida, elas carregam memória de parte da minha vida. (E3) Se está boa faço doação para alguém, parente, (E5)

A doação para instituições beneficentes e/ou pessoas necessitadas é o principal destino das roupas quando ainda podem ser usadas. Também fazem doações para entidades de proteção animal, que fazem brechós para arrecadação

16 de recursos financeiros para cuidar de animais abandonados, doentes ou maltratados. Dois dos entrevistados dizem doar as roupas para pessoas da família, sendo que um deles confessa que tem resistência em doar as roupas para pessoas estranhas, prefere dar para alguém da família, pois tem afeto por elas. “Cada roupa me lembra algum momento da minha vida, elas carregam memória de parte da minha vida” (E3). As roupas que não estão em bom estado são reutilizadas como panos de limpeza, principalmente as peças de algodão. QUESTÃO 6. O que você considera ao comprar uma roupa? Quadro 9: Critérios ao comprar uma roupa Nº % 7 70,0

O material, que não pode ser de origem animal

5 50,0

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Ideia Central das Respostas A estética

Respostas Literais Meu critério de escolha principal é estético, (E5) Meu critério básico é gostar da roupa. (E2) A estética é fundamental. O caimento dos tecidos e as cores das roupas é o que considero mais quando eu compro. (E6) Também considero a estética, pois a roupas deve agradar meus sentidos (E7) ...elegância e claro, as cores. Adoro xales, lenços, Que o produto seja (...) e agradável esteticamente (E8) ... só compro quando gosto muito de algo, nunca por impulso. Gosto de roupas indianas, feitas com trabalhos manuais, são únicas, também gosto de fibra de coco, como toalhas de mesa. Compra direto com quem faz. ... mas os produtos têm que ser estéticos. (E9) A estética e fundamental, se a roupa agradou aos meus sentidos eu compro, (E10) As roupas também não podem ser feitas com materiais de origem animal. (E3) Também não pode ser feita com materiais de origem animal, então eu não compro. (E6) ..., mas não pode ser feita com materiais de origem animal, então eu não compro. (E10) Meu critério básico é ético. Observo o material, pois não uso roupas feitas com materiais de origem animal em sua composição. (E7) Que o produto seja ético (E9) Gosto de garimpar em lojas populares, não valorizo marcas, só se for ética. (E8)

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17 O conforto

4 40,0

As cores

2 20,0

Que não seja de moda

2 20,0

Deve ser atemporal, simples, básica Preço

2 20,0

A facilidade de manutenção A adequação à estação A simplicidade, a ausência de ornamentos O tipo de tecido Durabilidade

2 20,0 1 10,0 1 10,0 1 10,0 1 10,0 1 10,0

Deve ser confortável (E1) Conforto é fundamental (E4) O conforto também é fundamental (E5) Conforto, (E8) ter cores que combinem com minhas outras roupas. (E1) Gosto de roupas beges em todos os tons, desde um tom natural aos marrons. Todas as minhas roupas são nesses tons. Não tenho roupas de outras cores. É bom porque combinam entre si. (E3) ... que não sejam de moda. (E3) ...sóbrio (ternos), roupas que não sigam um padrão, ex new hippye, emo, entre outros estilos, pois não gosto do que está na moda, o que todo mundo está usando. (E5) A roupa para mim tem que ser atemporal, básica. (E3) Coisas simples básicas. (E4) e depois também considero o preço.(E7) com preço justo (E9) ...não amassar facilmente (E1) ...a peça deve ser quente no inverno e fresca no verão (E1) Gosto de roupas simples, ausência de ornamentos (E3) Não gosto de sintético, gosto de tecidos orgânicos. (E4) Roupas duráveis (E4)

Aqui também se verifica a coerência das respostas dos entrevistados, sendo a estética a principal questão levada em consideração ao comprar uma roupa. O segundo critério mais citado, metade dos entrevistados, é referente ao material que não deve ser de origem animal. O critério “conforto” aparece em terceiro lugar para definir a compra, ou seja, 40% dos entrevistados dizem ser fundamental que as roupas sejam confortáveis no vestir. Além dos critérios estético, material e conforto, para 20% dos entrevistados é preciso ainda que a roupa não seja de moda, que seja atemporal (simples, básica), e consideram o preço. QUESTÃO 7. Você considera, ao comprar, a origem da roupa (onde é fabricada) e o material de que é feita?

18

Quadro 10: Consideração sobre a origem da roupa

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Entrevistado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 TOTAL

Sim

Não X X X

X X X X X X X 6

4

19 Quadro 11: Razões para a consideração da origem da roupa Ideia Central das Respostas

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Sim

Não

Produção sem escravagismo

Nº % 5 40,0

Falta de informação nos produtos

1 10,0

Falta de informação nos produtos

3 40,0

Falta o hábito

1 10,0

Respostas Literais Produção justa, que não escravize os trabalhadores (China e outros países) (E4) Eu gostaria sempre de saber a origem, mas infelizmente muitas vezes não existe a informação sobre a origem do produto. Agora lembrei do filme Corporação (E6) Devido à exploração da mão-de-obra, China. (E7) Devido à exploração da mão-de-obra, China e outros. Digo nas lojas que não compro nada que tenha trabalho escravo. Tem que ser comércio justo. (E8) Produção justa. (E9) Mas infelizmente muitas vezes não existe a informação sobre a origem do produto. (E10) A globalização no processo de produção das peças já fez essa procura perder algo do seu sentido (falta informação). Por exemplo, muita coisa manufaturada hoje é “made in China”. (E1) Falta informação nos produtos. (E2) Pois falta informação, mas dou preferência por produtos locais. (E5) Nunca prestei atenção na origem. Falta o hábito. (E3)

Ao comprar uma roupa, mais da metade dos entrevistados (60%) considera a origem do produto, onde foi fabricada. A principal razão é para evitar a compra de produtos feitos com utilização de mão de obra escrava, semi-escrava ou com pagamento injusto. O fairtrade (comércio justo) é um dos quesitos (o social) para que um produto tenha o selo de produto sustentável. A falta de informação quanto à origem é a principal justificativa dos entrevistados que não consideram a origem. Contudo, mesmo os entrevistados que consideram a origem dos produtos, reclamam da falta de informação. Quadro 12: Consideração do material que é feita a roupa Entrevistado

Sim

Não

20 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 TOTAL

X X X X X X X X X X 10

0

Quadro 13: Razões para consideração do material que é feita a roupa Ideia Central das Respostas

PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

Para evitar os produtos de origem animal

Nº % 10 100,0

Sim

O material deve ser durável Tecidos que não amassem

1 10,0 1 10,0

Respostas Literais Evito produtos de origem animal. (E1) Tenho problemas com os calçados, pois não quero usar couro e tenho dificuldade de encontrar bons sapatos sociais que não sejam de couro. (E2) Não uso produtos de origem animal. (E4) Não compro produtos de origem animal (E3), (E5), (E6), (E7), (E8), (E9), (E10) Tem que ser de material durável as roupas que compro. (E3) ... nem roupas que eu tenha que passar, que amassem muito. (E10)

O material com o qual é feito o produto é considerado por todos os entrevistados ao comprar uma roupa. A principal razão é para evitar a compra de produtos feitos com utilização de materiais de origem animal. Ou seja, este quesito é determinante no momento da compra. Outros dois quesitos são citados quanto ao material: a durabilidade e que os tecidos não amassem. Todos esses quesitos são muito importantes para a questão da sustentabilidade, pois os materiais de origem animal têm origem na criação artificial de animais, além da crueldade que normalmente lhes é infligida durante suas (curtas) vidas, ainda devastam grandes áreas florestais, geram poluição da água, ar e terra.

21 A durabilidade dos materiais pode evitar o descarte das roupas em curto prazo, o que poderá contribuir para redução do consumo de produtos novos e para gerar o consumo de serviços, como de manutenção ou customização das roupas, caso haja desgaste estético.

QUESTÃO 8. Quanto você gasta na compra de roupas, em média, por mês?

PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

Quadro 14: Gasto mensal com roupas Ideia Central das Respostas De R$ 50,00 a 100,00

Nº % 5 60,0

Até R$ 50,00.

3 30,0

De 100,00 a 200,00

2 20,0

Respostas Literais Em torno de R$ 70,00. (E1) não gosto de comprar e procurar roupa para comprar. (E4) Em torno de R$ 80,00, ou até menos (E6) Em torno de R$ 100,00 (E7), um pouco mais, mas porque compro coisas de ONGs, para doar presentear, para ajudar as pessoas e os animais. (E8) Em torno de R$ 50,00, mas tem meses que não compro nada e, algumas vezes compro mais, a média mensal é esta. (E2) Em torno de R$ 50,00. Compro quase tudo nos EUA, pois minha esposa é norte americana, vamos muito para lá e lá as roupas são baratas e de boa qualidade. (E3) Em torno de R$50,00. Tenho 2 filhas que usam o mesmo tamanho, divido com elas. (E9) Em torno de R$150,00. Ternos são roupas mais caras. (E5), Em torno de R$150,00. (E10)

Na compra de roupas, metade dos entrevistados declara ter gastos até R$ 100,00 por mês. Em segundo lugar estão gastos até R$ 50,00, e apenas dois entrevistados dizem ter gastos até R$ 200,00. QUESTÃO 9. Você compra roupas em brechó (de segunda mão), troca roupas ou aluga? Quadro 15: Compra em brechó? Entrevistado 1 2 3 4 5

Sim X

Não X X

X X

22 6 7 8 9 10 TOTAL

X X X X X 4

6

Quadro 16: Razões para comprar ou não em brechó Ideia Central das Respostas Principalmente se cuidadas e sem uso

Nº 1 10,0

Porque a roupa traz a energia das pessoas que as vestiam. Tem muita coisa boa

1 10,0

Para ajudar ONGs

1 10,0

Falta de hábito

3 30,0 3 30,0

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Sim

Porque a roupa traz a energia das pessoas que as vestiam. Não

1 10,0

Respostas Literais Normalmente no exterior, onde as peças são mais bem cuidadas e, às vezes, até sem uso. (E1) Gosto das roupas usadas, elas trazem energia de quem as usou, as escolho por intuição. (E8) Desde os anos 70 compro roupas em brechós, tem muita coisa boa. (E4) Comprava mais quando morava na Alemanha, tem muita variedade e eram boas. Aqui compro para ajudar ONGs. (E10) Não tenho esse hábito. (E2), (E7) Nunca tive esse hábito (E5) Nunca, pois a roupa traz energia das pessoas que as vestiam. A roupa guarda a energia da pessoa, tenho preconceito, evito comprar de brechós. (E9), (E3) Não me agrada a idéia de que a roupas foi de outra pessoa que não sei quem é, mas já comprei. (E6)

Quanto à compra de roupas de segunda mão, mais da metade dos entrevistados (60%) diz que não compra em brechós, metade deles (3) por falta de hábito e outra metade (3) porque acreditam que a roupa traz a energia das pessoas que as vestiam. Cada um dos demais entrevistados que compram em brechós tem uma razão específica: - normalmente compra no exterior onde as peças são mais bem cuidadas e às vezes até sem uso; - porque tem muita coisa boa em brechós; - para ajudar ONGs que arrecadam recursos para ajudar os animais; e, a roupa traz a energia das pessoas que as vestiam. Ou seja, esta mesma razão citada como motivo para comprar é considerada, por três dos entrevistados, como razão para não comprar em brechó.

23

Quadro 17: Troca roupas entre amigos e/ou familiares? Entrevistado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 TOTAL

Sim

Não X

X X X X X X X X X 7

3

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Quadro 18: Razões para troca ou não de roupas entre pessoas Ideia Central das Respostas Troca em família ou com amigos

Nº 6

Sim

Não

Outra pessoa que aproveitar a roupa Falta de hábito Doa, mas não troca

1 1 2

Respostas Literais Troca em família. (E2) Com alguma amiga que tem algo que eu gosto e vice e versa. (E6) Acho legal trocar com amigas (E7), (E8) Só divido com minhas filhas. (E9) Também na Alemanha eu trocava com amigas, mas aqui no Brasil não. (E10) Acho ótimo se alguém vai usar uma roupa que eu não gosto mais. (E4) Não tenho esse hábito (E1) Apenas dou roupas para familiares ou amigos, mas não pego de outras pessoas. (E3) Só faço doação, não troco. (E5)

Quanto à troca de roupas entre amigos e/ou família, mais da metade dos entrevistados (70%) disse que costumam trocar com amigos e/ou familiares e acham que é bom poder fazer trocas, seja entre familiares ou com amigos. Dois dos entrevistados que não trocam roupas, dizem que apenas doam, mas não usam roupas de outras pessoas. Verificando na questão anterior, esses mesmos entrevistados também não compram em brechós. Pode-se observar que existe uma coerência entre as respostas desses entrevistados. Ou seja, isso parece mostrar que para alguns entrevistados a roupa traz energia das pessoas que as vestiam e por isso têm preconceito com roupas usadas, evitam tanto comprar de brechós, quanto trocar roupas. Ou ainda poderia ser devido à falta de hábito.

24 Quadro 19: Aluga roupas? Entrevistado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 TOTAL

Sim

Não X X X X X X X

X X X 9

1

Quadro 20: Razões para alugar ou não roupas

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Sim Não

Ideia Central das Respostas Para festas e eventos Falta de hábito



Respostas Literais

1 9

Se tiver que ir a um casamento (E8) Não tenho esse hábito (E1) (E2) Não tenho esse hábito, mas se eu precisasse alugaria. (E3) (E4) (E5) (E6) (E7) (E10) Nunca precisei. (E9)

O aluguel de roupas parece ser uma prática pouco comum entre os veganos entrevistados, pois apenas um entrevistado disse que aluga roupas. A maioria dos entrevistados (80%) disse que a razão de não alugar é por falta de hábito, sendo que 60% disseram que se precisassem alugariam roupas. Poderia se levantar aqui a questão da importância dos hábitos. Se desde a infância fosse comum para as pessoas o uso de roupas de segunda mão, compartilhar e alugar roupas, é provável que essas práticas, na idade adulta, seriam tão comuns como é comprar uma roupa nova. A força dos hábitos é determinante na conduta humana, portanto é importante que esses hábitos sejam desenvolvidos o mais precocemente possível na vida das pessoas, o que, provavelmente, não aconteceu com esses veganos na sua infância.

QUESTÃO 10. Você acha que poderia comprar menos roupas do que compra? Quadro 21: Poderia comprar menos roupas? Entrevistado 1 2

Sim X

Não X

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25

3 4 5 6 7 8 9 10 TOTAL X

X X

X X X X X 7 3

26

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Quadro 22: Comentário sobre comprar menos roupas Ideia Central das Respostas Não Já compra pouco

Nº 3

Sim

Poderia comprar menos

5

Sim

Precisa-se pouco para viver

2

Respostas Literais Já procuro comprar pouco. (E1) Já estou no limite do mínimo. Acho que só tenho três calçados, uso até desgastarem totalmente, só depois compro outro. (E3) Não. Já procuro comprar pouco, mas gosto de comprar. (E5) ...com certeza ainda poderia comprar menos. (E2) Eu poderia ter menos do que tenho. Não sou consumista, mas algumas vezes comprei por compulsão, mas quando me dou conta desisto da compra. (E6) Eu poderia me vestir bem, mesmo comprando menos. (E7) ... me arrependo quando compro e na verdade não era preciso comprar. (E9) Eu poderia viver bem, mesmo comprando um pouco menos. Não sou consumista nem compulsiva. (E10) Sim, porque se precisa pouco para viver. Temos demais objetos, não é necessário tudo isso para viver e se sentir bem. As pessoas são influenciadas a desejarem sempre mais, é o mundo regido pelo capitalismo. (E4) Eu poderia viver bem, mesmo comprando menos. “Não tenha mais do que você pode amar”. Não acumular coisas, tudo deve ser usado, teve uma propósito, carrega uma energia que não deve ficar parada. (E8)

Apenas (3) entrevistados disseram que não poderiam comprar menos roupas do que compram, pois já procuram comprar pouco. Os demais entrevistados (7) disseram que poderiam comprar menos, sendo que (2) deles disseram que se precisa pouco para viver. Pelas respostas dadas a esta questão, parece que a maioria dos entrevistados não associa a compra de roupas como uma forma de promover o seu bem estar, apenas como uma necessidade.

QUESTÃO 11. Você tem cuidados com a manutenção das roupas?

27 Quadro 23: Têm cuidados com a manutenção das roupas? Entrevistado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 TOTAL

Sim X X X X X X X X X X 10

Não

0

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Quadro 24: Razões para cuidados com a manutenção das roupas Ideia Central das Respostas Durabilidade

Nº 10

Por gostar da roupa

1

Respostas Literais Para que durem mais tempo. (E1), (E2), (E3), (E4), (E5), (E6), (E7), (E8), (E9), (E10) Das peças que gosto mais tenho maior cuidado (E4)

Quadro 25: Quais são os principais cuidados? Ideia Central das Respostas Cuidados no lavar

Nº % 9 70,0

Mandar arrumar, ajustar ou adaptar as roupas com costureiras

5 50,0

Respostas Literais Não lavar em lavanderias (E1). Lavar em casa. (E2) Cuido no lavar. Como as cores das minhas são todas em tons beges, posso lavar tudo junto, não é preciso separar e lavar em várias vezes. (E3) Cuidado em colocar na máquina (E4) Lavar a mão, (E5) Cuido no lavar. (E6), (E7) Cuido no lavar, mas tenho pouco tempo, mesmo assim o sabão sempre é biodegradável e faço amaciante natural que aprendi. (E8) Cuidado básico no uso e lavagem. (E9) Cuido no lavar, eu mesma lavo minhas roupas, tudo a mão, não uso máquina de lavar (E10) Mandar arrumar, ajustar ou adaptar as roupas com costureiras. (E1), (E5) Modifico as peças com customização, faço ajustes e algumas vezes eu pinto. Eu gosto de fazer isso (E6)

28

Usar sabão natural

3 30,0

Não passar as roupas

2 20,0 1 10,0

Guardar bem

Fazer restauração. (E7) Também faço ou envio para fazer restauração das roupas quando possível. (E8) Usar sabão natural (E4) ... produtos orgânicos. (E5) ... com sabão de coco, (E10) Não passar as roupas (E4) ... nem ferro de passar. (E10) ... guardá-las bem. (E2)

Todos os entrevistados disseram que têm cuidados com a manutenção das roupas, sendo que a razão é para que elas durem por mais tempo. Um dos entrevistados também acrescentou que tem mais cuidado com as roupas que gosta mais, ou seja, uma escolha considerando a estética do produto também parece contribuir para que o usuário cuide mais da manutenção da mesma.

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Durante o processo de lavagem é que se dá o principal cuidado para manutenção das roupas. Alguns entrevistados lavam a roupa a mão, evitando o uso de máquinas de lavar e utilizam sabão natural e produtos orgânicos em geral. Não passar as roupas e guardá-las bem também faz parte dos cuidados. Mandar arrumar, ajustar ou adaptar as roupas em costureiras é uma prática comum para a metade dos entrevistados. Modificar as peças com customização, fazer ajustes e algumas vezes pintá-las é uma atividade prazerosa para dois dos entrevistados.

QUESTÃO 12. O que você acha de propostas para o vestuário como: um sistema estruturado para aluguel de roupas para o dia-a-dia, venda e troca de roupas usadas, manutenção das roupas, reciclagem das roupas após uso, roupas com tecidos orgânicos e tingimentos naturais, entre outros?

29

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Quadro 26: Opinião sobre propostas diferenciadas para o vestuário Ideia Central das Respostas É importante

Nº % 5 50,0

Importante para mudar cultura de consumismo

4 40,0

Deve-se trabalhar para uma educação sobre o ciclo de vida dos produtos

2 20,0

Respostas Literais Um design para a moda mais sustentável é muito importante. É uma indústria que usa muitos recursos naturais e polui muito. (E6) Acho importante, o veganismo tem esses valores, portanto está de acordo com que buscamos. (E7) Legal todas estas mudanças, elas são necessárias. Acho complicado dividir, compartilhar as roupas, mas talvez nas próximas gerações isso seja comum. Uso coletivo é interessante desde que todos tenham cuidado com as peças, nem todos têm esse valor, do cuidado com as coisas coletivas. (E8) Acho muito importante um cenário diferente, que contribua para que se possa usar mais roupas sem comprá-las. (E9) Acho muito importantes estas propostas e acredito que, elas são necessárias. Deve haver cada vez mais propostas de um bom design com materiais reciclados e orgânicos, o escambo também acho muito interessante. (E10) Acho importante para mudar essa cultura do consumismo que para mim é algo surreal, pensar em China, Japão onde só se produz cada vez mais. (E2) A sustentabilidade não existe (faz crítica ao Vezzoli). O discurso da sustentabilidade é usado para um consumo sem culpa. (E3) Acho muito importante um cenário diferente, que contribua para que se possa usar mais as roupas e demais objetos, sem comprar tanto. (E4) Propostas diferentes ao que se encontra hoje é muito importante para que gradativamente o consumidor mude seu modo de consumir, pensando no que está comprando e usando. (E6) O que é preciso verdadeiramente é trabalhar para uma educação melhor para que as pessoas sejam mais críticas, para que aprendam “a história das coisas” (É UM DOCUMENTÁRIO), entendam e pensem sobre o ciclo de vida dos produtos. (E3) Mas deve haver também workshops para as

30

É interessante.

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Estamos distantes de um cenário de sustentabilidade

2 20,0 2 20,0

Há poucas opções no Brasil

1 10,0

Deve-se diminuir o desperdício

1 10,0

Deve-se aumentar a durabilidade

1 10,0

pessoas aprenderem a ter um consumo consciente. (E10) Acho bem interessante. (E1), (E5) Mas acho que ainda estamos longe desse cenário diferente. Vejo poucas pessoas realmente preocupadas com um mundo melhor para todos. As pessoas geralmente pensam no seu próprio bem estar e não param para refletir sobre o impacto de seu modo de viver, para conseguir o seu bem estar. Mas acredito que isso vai mudar no futuro, pois o ser humano será obrigado a rever seu modo de vida porque a natureza não vai suportar a exploração desmedida que acontece na atualidade. Rios são desviados, lagos artificiais são formados, o lixo não tem mais onde se colocar, o lençol freático está sendo contaminado com os agrotóxicos. Sem falar da exploração animal, que além de ser antiética, pois o homem não é o centro do mundo e não tem o direito de dominar toda vida do planeta em seu benefício, ainda contribui para devastar grandes áreas de matas e poluir com os resíduos gerados. Dá para listar muitas razões para que o homem tenha que rever seu modo de lidar com a natureza (E4) Acho que tudo isso é necessário e importante, mas temos um caminho longo pela frente, mudanças culturais demoram gerações, mas acontecem, principalmente quando não existe outra saída...(E8) Aqui no Brasil tem poucas opções deste tipo, no exterior tem mais, o que sugere um potencial de mercado não atendido. (E1) Não devemos desperdiçar tanto, ver como nossas avós faziam, tinham mais cuidado com os objetos, reaproveitavam e também sabiam fazer mais coisas, tricô, crochê. Hoje a maioria dos jovens não sabe nem pregar um botão, ou melhor, nem colocar linha na agulha. Essa cultura era européia, veio com a guerra. (E2) As roupas deveriam ser menos industriais. Serem feitas para durarem mais, assim como qualquer outro objeto criado pelo homem. O design serve para fazer um mundo melhor, criar produtos que durem mais tempo e com menos impacto à natureza, e não para

31

O sistema de trocas é interessante.

1 10,0

Campanha para divulgar essas idéias Pode funcionar mais nos grandes centros

1 10,0 1 10,0

manipular as pessoas, fazendo-as consumir mais. (E3) O sistema de trocas é muito interessante e já está acontecendo via internet ou feiras de trocas. Novos cenários devem surgir tanto na moda quanto em outras áreas. (E3) Mas tem que ser feita uma boa campanha para divulgar, ter mais opções. (E5) Isso é uma realidade que pode funcionar mais para grandes centros. (E5)

Nesta questão que aborda as novas propostas para o vestuário verificou-se que praticamente todos os entrevistados acham importante e/ou interessante um design para a moda mais sustentável, pois a consideram uma indústria que usa muitos recursos naturais e gera muita poluição. Assim, todas as medidas apresentadas na questão são consideradas

necessárias. Embora alguns

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entrevistados achem complicado dividir, compartilhar as roupas, eles acreditam que talvez nas próximas gerações isso seja comum. Uso coletivo é considerado interessante, desde que todos tenham cuidado com as peças, pois nem todos têm esse valor, do cuidado com as coisas coletivas. Segundo os entrevistados, é importante um cenário diferente, que contribua para que as pessoas possam usar roupas e demais objetos sem comprálos, um sistema organizado de escambo seria muito interessante. Além disso, deve haver cada vez mais propostas de um bom design com materiais reciclados e orgânicos. O veganismo tem esses valores, e os entrevistados buscam por este tipo de propostas, o que está de acordo com sua filosofia de vida. As propostas também são consideradas importantes para mudar a cultura do consumismo “que é algo surreal..., pensar em China, Japão onde só se produz cada vez mais”, segundo um dos entrevistados (E2). Outro entrevistado diz que a sustentabilidade não existe e faz crítica a Vezzoli, dizendo que “o discurso da sustentabilidade é usado para um consumo sem culpa”. Corroborando com uma opinião similar, outros dois entrevistados afirmam que estamos distantes de um cenário de sustentabilidade, que tudo isso é necessário e importante, mas há um caminho longo pela frente, pois mudanças culturais demoram gerações, mas acontecem, principalmente quando não existe outra saída.

32 Além disso, afirmam que poucas pessoas realmente estão preocupadas com um mundo melhor para todos. As pessoas geralmente pensam no seu próprio bem estar e não param para refletir sobre o impacto de seu modo de viver, para conseguir o seu bem estar. Contudo, acreditam que isso vai mudar no futuro, pois o ser humano será obrigado a rever seu modo de vida porque a natureza não vai suportar a exploração desmedida que acontece na atualidade. Rios são desviados, lagos artificiais são formados, o lixo não tem mais onde se colocar, o lençol freático está sendo contaminado com os agrotóxicos. Sem falar da exploração animal, que além de ser antiética, pois o homem não é o centro do mundo e não tem o direito de dominar toda vida do planeta em seu benefício, ainda contribui para devastar grandes áreas de matas e poluir com os resíduos gerados. Conclui um dos entrevistados (E4), “dá para listar muitas razões para que o homem tenha que rever seu modo de lidar com a natureza”. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

Portando, segundo os entrevistados, propostas diferentes ao que se encontra hoje são muito importantes para que gradativamente o consumidor mude seu modo de consumir, pensando no que está comprando e usando. Mas para isso acontecer é preciso verdadeiramente trabalhar para uma educação melhor para que as pessoas sejam mais críticas, para que aprendam sobe “a história das coisas”, entendam e pensem sobre o ciclo de vida dos produtos, desde a origem da matéria prima até o descarte. Uma sugestão dada pelos entrevistados é que deveria haver workshops e campanhas para divulgar essas ideias para as pessoas aprenderem a ter um consumo consciente. Não devemos desperdiçar tanto, disse um dos entrevistados (E2), devíamos pensar como nossas avós faziam, pois elas tinham mais cuidado com os objetos, reaproveitavam e também sabiam fazer mais coisas, tricô, crochê. Hoje a maioria dos jovens não sabe nem pregar um botão, ou melhor, nem colocar linha na agulha. Essa cultura era européia, veio com as duas grandes guerras mundiais do século XX. As roupas deveriam ser menos industriais, sugere outro entrevistado (E3). Serem feitas para durarem mais, assim como qualquer outro objeto criado pelo homem. O design serve para fazer um mundo melhor, criar produtos que durem mais tempo e com menos impacto à natureza, e não para manipular as pessoas, fazendo-as consumir mais.

33 Para concluir esta questão, vale citar ainda a opinião de um dos entrevistados que diz que essas propostas podem até ser uma realidade para funcionar em grandes centros. Ou seja, em locais mais distantes ele acredita que seja difícil implantar um sistema de trocas, aluguel, compartilhamento e também as roupas orgânicas e recicladas, que ainda tem um custo mais elevado, pois a maioria dos consumidores ainda compra considerando mais o critério do preço do que da sustentabilidade. Nessa questão foram abordadas, em conjunto, algumas questões anteriores, de uma forma mais ampla e menos individualizada. Aqui todos concordam que as propostas são importantes, mesmo alguns entrevistados tendo assinalado anteriormente que não praticam algumas dessas medidas como, por exemplo, a compra de roupas usadas e o aluguel de roupas. Conforme o entrevistado (08),

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“talvez nas próximas gerações isso seja comum”. QUESTÃO 13. Você considera que conhece os princípios para a sustentabilidade sócio-ambiental?

34 Quadro 27: Conhece os princípios para a sustentabilidade sócio-ambiental? Entrevistado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 TOTAL

Sim X X X X X X X X X X 10

Não

0

QUESTÃO 14. Você aplica, no seu cotidiano, princípios para a sustentabilidade sócio-ambiental?

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Quadro 28: Aplica os princípios para a sustentabilidade sócio-ambiental? Entrevistado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 TOTAL

Sim X X X X X X X X X X 10

Não

0

Quadro 29: Exemplos de práticas sustentáveis Ideia Central das Respostas Separação do lixo para reciclagem

Economia de água e/ou de energia, equipamentos e máquinas econômicos



Respostas Literais

9 90,0

Separo meu lixo para reciclagem (E1) (E4), (E9) Na medida do possível, separo meu lixo para reciclagem (E2) Reciclo o lixo (E3), (E6), (E8), (E10) seleção de materiais para reciclar... com resto de comida faço compostagem. (E5) Economizo água. (E3) Banhos mais curtos (E4), (E9) cuidar com a água... pego água em fontes ... usar várias vezes as roupas ...máquinas econômicas (E5) Reutilizo a água. (E6), (E10)

8 80,0

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35

Pouco consumo

6 60,0

O não-uso de produtos animais na alimentação

5 50,0

Pouco uso de carro ou não possuir carro

5 50,0

Uso de ecobags

2 20,0 1 10,0

Não ter filhos

Uso de produtos naturais biodegradáveis na limpeza Não comprar nada por impulso Divulgação dos princípios da proteção animal e ambiental

1 10,0 1 10,0 1 10,0

Reutilizo a água, uso balde para recolher água da chuva para molhar as plantas, lavar calçadas, nos sanitários, também reuso a água do chuveiro e os banhos são curtos. (E8) Não tenho microondas, ar condicionado, ferro de passar, todos consomem muita energia. Uso lâmpadas frias e desligo os aparelhos das tomadas. (E10) Tenho uma vida mais simples e consumo pouco. (E3) ...reutilizar ao máximo as coisas, diminuir o consumo (E5) Consumo pouco. (E8), (E9), (E10) Não comprar nada por impulso, (E9) Na alimentação natural, sem uso de produtos de origem animal (E4) Tento fazer de tudo para ter uma vida mais sustentável e isso inclui a alimentação que é vegana e orgânica. (E5) Sou vegana, não consumo produtos de origem animal que tem um grande impacto ambiental, além de não ser ético (E6), (E8), (E10) Abri mão de possuir um carro (E1). Só uso carro quando realmente for necessário. (E3) Vou a pé sempre que possível, evitando uso do carro. (E4) menos combustível, andar menos de carro (E5) ir a pé para muitos lugares (E9) Uso ecobags (E1), (E5) Se levar em conta a (não) duplicação da minha pegada sócio-ambiental, o fato de não ter um filho talvez seja minha contribuição mais impactante nesse sentido. (E1) ... na limpeza, uso produtos naturais biodegradáveis (E4). Não compro nada por impulso (E4) Divulgo para as pessoas como jornalista, através do site que criei www.anda.jor.br (E7)

Todos os entrevistados afirmam conhecer os princípios para a sustentabilidade sócio-ambiental, bem como dizem aplicá-los no seu cotidiano.

36 Dos exemplos de práticas sustentáveis, a separação do lixo é a que mais foi citada. Logo a seguir aparece a economia de água e/ou de energia, com banhos mais curtos, reutilização da água, o não uso de alguns aparelhos domésticos que gastam muita energia (microondas, ar condicionado, ferro de passar roupa), o uso de lâmpadas frias e o desligamento de aparelhos das tomadas. Mais da metade dos entrevistados (60%) disse que consome pouco, que procura ter uma vida mais simples, reutiliza ao máximo as coisas e não compra nada por impulso. O não-uso de produtos animais na alimentação é citado por metade dos entrevistados como um exemplo das práticas sustentáveis que praticam. Para eles, para se ter uma vida mais sustentável, é preciso incluir a alimentação vegana e orgânica, pois o consumo de produtos de origem animal e produtos com agrotóxicos têm um grande impacto ambiental, além de não ser ético. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

Evitar o uso do carro, usá-lo somente quando realmente for necessário, ir a pé sempre que possível ou não ter carro, é uma prática sustentável citada por metade dos entrevistados. Outras práticas são citadas como o uso de ecobags, não ter filhos, uso de produtos naturais biodegradáveis na limpeza, não comprar nada por impulso e a divulgação dos princípios da proteção animal e ambiental. Dentre as práticas citadas, uma delas merece atenção: “não ter filhos”. Essa questão será analisada com mais profundidade a seguir, nas considerações finais, pois este é um dos princípios da sustentabilidade que pouco está sendo abordado pelos teóricos que estudam o tema. Segundo os princípios levantados na literatura para um consumo mais sustentável, as práticas realizadas no cotidiano pelos entrevistados veganos, estão de acordo com princípios para a sustentabilidade sócio-ambiental. Contudo, alguns entrevistados dizem ter dificuldades em aplicar melhor os princípios da sustentabilidade, pois ainda faltam produtos e serviços mais adequados como, por exemplo, um sistema de transporte coletivo melhor e a construção de ciclovias e aluguel de bicicletas, além, é claro, da “falta de hábito” de certas práticas mais sustentáveis.

QUESTÃO 15. Você acredita que contribui com a sua comunidade na busca por um modo de vida mais adequado à sustentabilidade sócio-ambiental?

37 Quadro 30: Contribui com a sua comunidade quanto à sustentabilidade sócioambiental? Entrevistado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 TOTAL

Sim X X X X X X X X X X 10

Não

0

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Quadro 31: Forma(s) de contribuição com a comunidade Ideia Central das Respostas Contribui com a sua comunidade



Respostas Literais

10 100,0

Sim, sobretudo intelectualmente. Sou convidado para palestrar em eventos, publicar textos e dar entrevistas na TV/rádio sobre a questão animal e o respeito pela vida. (E1) Sim. Através da minha profissão (promotor de justiça), em casos que envolvem a questão ambiental.... quando sou convidado para palestrar em eventos, sobre a questão dos direitos dos animais e o respeito pelo meio ambiente natural. (E2) Através do meu trabalho, como professor, procuro desenvolver nos meus alunos um senso mais crítico. Trabalho sutilmente com ideais morais, a importância de uma boa educação na família, nas escolas. Sou palestrante em diversos eventos, escrevo e comunico valores éticos. Passo credibilidade pelo meu modo de ser e de me apresentar. (E3) Sim. Para mim a comida é só a ponta do iceberg. Sou vegana e minha vida é difundir o vegetarianismo para que tenhamos um mundo melhor. Escrevo livros e dedico a minha vida a dar palestras em diversos eventos pelo mundo para divulgar o vegetarianismo. (E4)

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Sendo um exemplo pelas próprias ações

4 40,0

Evitando o uso de avião.

1 10,0 1

Optando por não ter filhos

Sim, sobretudo intelectualmente. Nas aulas, com alunos, passo o documentário Terráquios. (E5) Pelo trabalho como professora, pesquisadora e palestrante em diversos eventos. Sempre abordo questões éticas. Desenvolvi uma cartinha para escolas públicas de como tratar com respeito os animais. (E6) Na minha profissão, com disseminação da informação para contribuir para o conhecimento e para despertar a consciência para a preservação da vida no planeta Terra. (E7) Fico de um lado ou para outro fazendo palestras, documentários, eventos e tantas outras coisas no dia-a-dia. (E8) Dizer para as pessoas no dia-a-dia que sou vegana e qual a importância do veganismo para contribuir para um mundo melhor e também para a saúde física e mental das pessoas. Dou palestras sobre direitos dos animais e ecofeminismo sempre que tenho oportunidade. (E9) ... como professora e palestrante sempre falo de um modo de vida mais ético. (E10) Sendo um exemplo pelas minhas ações. (E5) Procuro ser o exemplo pelas minhas ações. Sinto responsabilidade pelo mundo em que vivo, mas me sinto bem pelo que faço, tenho vontade de ter um maior desenvolvimento pessoal, e para isso tenho necessidade de ajudar para que tenhamos um mundo melhor. Tenho atenção pelo que represento, sou o que gostaria de ser. É uma eterna busca, ser melhor. (E8) Também procuro comprar marcas feitas em comunidades, valorizo o artesanato. Devemos ajudar que pessoas que precisam trabalhar, mas os produtos têm que ser estéticos. (E9) Pela minha forma de vida, pelo que pratico no meu cotidiano, (E10) Tenho evitado usar avião, faço teleconferência. (E1) Optei em não ter filhos. O impacto da

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Educando meus filhos

1 10,0

reprodução humana sobre o planeta é muito grande. Mais um filho vai consumir mais coisas, assim não adianta cuidar com o restante. Não é uma questão privada porque afeta o mundo e as outras pessoas. (E1) A educação dos meu dois filhos também é um ponto importante, pois serão os cidadãos do futuro próximo. (E3)

Todos os entrevistados dizem que contribuem com a sua comunidade na busca por um modo de vida mais adequado à sustentabilidade sócio-ambiental, sobretudo

intelectualmente.

Todos

os

entrevistados

são

palestrantes

e

frequentemente são convidados para palestrar em eventos, publicar textos e dar entrevistas em emissoras de televisão e/ou rádio falando sobre a questão animal e o respeito pela vida. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

Através da profissão de cada um como: promotor de justiça (1), perito criminal (1) professor (4), ativista (3) e jornalista (1), todos trabalham em casos que envolvem a questão ambiental, seja como convidados para palestrar em eventos, sobre a questão dos direitos dos animais e o respeito pelo meio ambiente natural, ou para desenvolver com os alunos um senso mais crítico, ou ainda com a disseminação da informação para contribuir para o conhecimento e para despertar a consciência para a necessidade de preservação da vida no planeta Terra. Procuram trabalhar com ideais morais e questões éticas, contribuindo com uma boa educação na família e nas escolas. “Para mim a comida é só a ponta do iceberg” (E4), diz um dos palestrantes sobre a questão da sustentabilidade. Mas para todos os entrevistados, ser vegano e difundir a importância do veganismo no dia-a-dia para as pessoas é fundamental para a construção de um mundo melhor, sem tanta destruição ambiental, e também para a saúde física e mental das pessoas. Ser um exemplo pelas próprias ações é citado por quase metade dos entrevistados (40%) como uma contribuição para com a sua comunidade na busca por um modo de vida mais adequado à sustentabilidade sócio-ambiental. Eles sentem responsabilidade pelo mundo em que vivem; se sentem bem pelo que fazem e têm vontade de ter um maior desenvolvimento pessoal, para isso têm necessidade de ajudar na construção de um mundo melhor. Segundo um dos

40 entrevistados, “tenho atenção pelo que represento, sou o que gostaria de ser. É uma eterna busca, ser melhor” (E8). Aqui cabe citar a frase de Mahatma Ganghi: “seja você a mudança que gostaria de ver no mundo", que ilustra bem o que dizem os veganos entrevistados sobre ser um exemplo pelas próprias ações. Comprar marcas feitas na comunidade, valorizando o produto e o artesanato local é uma forma de contribuição citada. “Devemos ajudar que pessoas que precisam trabalhar, mas os produtos têm que ser estéticos” (E9), e, além disso, conforme levantado anteriormente, os produtos também devem ser éticos. Outras práticas do cotidiano citadas são: evitar o uso de avião, fazer teleconferência, por exemplo; optar por não ter filhos, pois o impacto da população de humanos sobre o planeta é muito grande, porque mais um filho vai PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

consumir mais coisas, assim não adianta cuidar com o restante, ou seja, ter filhos “não é uma questão privada porque afeta o mundo e as outras pessoas” (E1); e educar os filhos também é um ponto importante, pois serão os cidadãos do futuro próximo. Quanto à contribuição com a comunidade na busca por um modo de vida mais adequado à sustentabilidade sócio-ambiental, os veganos entrevistados disseminam valores morais e éticos ao ministrarem palestras em eventos, publicam textos e dão entrevistas em emissoras de televisão e/ou rádio falando sobre a questão do respeito por todas as formas de vida.

QUESTÃO 16. O que você pensa sobre o atual sistema da moda? Quadro 32: Opinião sobre o atual sistema da moda Ideia Central das Respostas Uma indústria insustentável: efemeridade, futilidade, desperdício, conformismo e/ou insanidade

Nº % 7 70,0

Respostas Literais Uma indústria deslocada da realidade. Produtos projetados para uma efemeridade absurda, é algo insano. Vejo as pessoas anestesiadas, não são críticas, “seguem o barco” sem saber e questionar o rumo. Alguns consumidores têm gastos excessivos com produtos do vestuário, mesmo as que têm pouco dinheiro. Marcas colocam 50 vezes o valor absoluto do produto, de custo (cita a DASLU). (E3) Moda é uma estética muito presa a futilidade, desconexa com a ética ambiental. Essa é a

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É um sistema que deve 6 ser mudado 60,0

Causa impacto para as pessoas e para o meio ambiente

3 30,0

A moda usa, mas não 1 deve usar, peles de 10,0 animais

minha crítica à moda. (E5) Uma indústria insustentável. (E6) É insustentável. É estética sem ética. Pouca preocupação com a sustentabilidade. (E7) Desperdício. É como eu resumo a moda. É insustentável. Seres que “têm” e não que “são”. (E8) É fútil. Devemos nos vestir para a gente, não para os outros. Não uso mais salto alto, não faço nada para agradar os outros. A moda é muito isso, as pessoas fazem tudo para agradar e chamar a atenção das outras pessoas. Isso é alimentado pela mídia. (E9) Supérfluo e insustentável, assim é o sistema da moda. É algo desnecessário, ficar trocando de roupa quando elas ainda estão boas para vestir, apenas para comprar outras porque estão na moda. (E10) É um sistema que não pode continuar desse modo. Mas é preciso educar os consumidores, eles são manipulados. Se tiverem mais consciência sobre o seu consumo comprarão menos e melhor. (E3) É preciso mudar o tipo de consumo e reduzir o consumo de roupas e demais coisas. (E4) Todo sistema deveria ser diferente. O bem vestir não precisa estar associado ao consumismo, à troca das roupas tão rápida, pois os tecidos duram por muito tempo. (E5) O sistema da moda precisa mudar. A humanidade precisa mudar. A produção e consumo têm que ser mais éticos. (E6) O que acho mais importante hoje para a moda é o comércio justo, reciclar, ética, tecidos mais naturais, sustentáveis. (E8) O sistema da moda precisa mudar, o mundo está mudando, lentamente, mas está, e a moda deveria acompanhar essa mudança para uma produção e consumo mais ético. (E10) É um sistema que beira a aberração com a quantidade de recursos naturais que utiliza e a poluição que causa. (E3) As pessoas querem ficar bonitas, para isso é preciso oferecer coisas com menos impacto para as pessoas e ao meio ambiente. (E4) Uso de materiais com grande impacto ambiental como o couro, por exemplo. (E7) Além disso, ainda hoje tem estilistas e marcas que usam peles e couro. Não é preciso fazer uso das peles dos animais para nos vestir no século

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É necessária uma formação para a independência do sistema da moda

1 10,0

É um sistema capitalista que procura criar a necessidade de consumo.

1 10,0

Está muito ligada à vaidade humana

1 10,0

É uma ditadura É um código inclusão social

1 10,0 de 1 10,0

XXI, com tantos materiais que a indústria desenvolveu. (E5) Nos cursos de moda devem ter aulas para que os alunos desenvolvam seu próprio estilo, e que trabalhem com personal stilist. Que se conheçam bem, que sejam mediadores e não reprodutores. Saibam andar na “contramão” para provocarem as pessoas a se conhecerem, em qualquer ramo. Aprendam a olhar para dentro, valorizar o que tem de bom. Não serem dependentes desse sistema da moda. Serem capazes de mudar a vida das pessoas. Olhar para dentro para agir fora, fazer o outro se sentir melhor. Mudanças demais nas propostas da moda. Assim, vejo a importância da educação, de que as pessoas tenham condições de realmente fazer as escolhas certas. Mas não vejo uma educação para o consumo consciente... Temos que ser autênticos, estar de bem consigo mesmo, sermos verdadeiros, liberdade de ser. Para isso temos que ter uma educação que nos possibilite sermos críticos, questionar as coisas e não sermos apenas “seguidores”. (E8) Como outros instrumentos capitalistas, é um sistema que, invariavelmente, procura criar a necessidade de consumo em vez de simplesmente atender a demanda de identidade pessoal da população. (E1) A moda ainda está muito ligada à vaidade humana e dentro do movimento vegano existe um estereótipo que não se deve ser feliz e bonito. Uma lógica de não se pode estar bem arrumado e feliz. Se vende uma imagem de pessoas com purismo (purismo psicológico), que para mim não tem fundamento. Noção religiosa de purismo não tem relação com a ética. Parece seita. Atitude ética é usar materiais reciclados e orgânicos. (E1) É uma ditadura. Impõe estilos pela mídia (E2) ... é um código, parece até uma forma de inclusão social, se a pessoa se veste de acordo com a moda ela se sente incluída socialmente. (E2)

43 A opinião dos entrevistados sobre o atual sistema da moda é bastante crítica, pois eles consideram a indústria da moda insustentável, efêmera, fútil e que gera desperdício, conformismo e/ou insanidade por parte dos consumidores. Segundo a maioria dos entrevistados (70%), trata-se de indústria deslocada da realidade, com produtos projetados para uma efemeridade absurda, consideram algo insano. As pessoas anestesiadas, não são críticas, “seguem o barco” sem saber e questionar o rumo. Seres que “têm” e não que “são”. Alguns consumidores têm gastos excessivos com produtos do vestuário, mesmo as que têm pouco dinheiro. Marcas colocam 50 vezes o valor absoluto do produto, de custo (entrevistado 03 cita a DASLU). Eles consideram que a moda tem uma estética muito presa à futilidade, desconexa com a ética ambiental. É estética sem ética. Pouca preocupação com a sustentabilidade. Ficar trocando de roupa quando elas ainda estão boas para vestir, PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

apenas para comprar outras porque estão na moda, é algo desnecessário. Segundo um dos entrevistados (09), devemos nos vestir para a gente, não para os outros. “A moda é muito isso, as pessoas fazem tudo para agradar e chamar a atenção das outras pessoas. Isso é alimentado pela mídia”. Diz ainda que é uma ditadura que impõe estilos com a ajuda da mídia. Todo sistema da moda deveria ser diferente, segundo opinião dos entrevistados. Eles dizem que a moda é um sistema que deve ser mudado, não pode continuar desse modo. Mas para isso é preciso educar os consumidores, eles são manipulados. Se tiverem mais consciência sobre o seu consumo comprarão menos e melhor, reduzindo o consumismo de roupas e demais coisas. O bem vestir não precisa estar associado ao consumismo, à troca das roupas tão rápida, pois os tecidos duram por muito tempo. A humanidade precisa mudar. A produção e consumo têm que ser mais éticos, com o comércio justo, a reciclagem, os tecidos mais naturais e sustentáveis. Portanto, é praticamente unânime a opinião dos entrevistados de que o sistema da moda precisa mudar, porque o mundo está mudando, lentamente, mas está, e a moda deveria acompanhar essa mudança para uma produção e um consumo mais éticos. E a indústria da moda causa impacto para as pessoas e para o meio ambiente. É um sistema que beira a aberração com a quantidade de recursos naturais que utiliza e a poluição que causa. “Tudo isso porque as pessoas querem ficar bonitas” (E4). A princípio não há nada de errado com esse

44 desejo/necessidade do ser humano, mas para isso é preciso oferecer produtos com menos impacto para as pessoas e ao meio ambiente. Além das críticas comuns de vários entrevistados feitas sobre a questão da moda, existem outras colocações particulares, como a questão do uso de peles de animais, pois ainda hoje têm estilistas e marcas que usam peles e couro em seus produtos, sendo que não é preciso fazer uso desse material para fazer roupas no século XXI, pois existem diversos materiais que a indústria desenvolveu que as substituem. Embora os demais entrevistados não tenham falado sobre este ponto nesta questão, anteriormente todos declararam que não compram produtos feitos com materiais de origem animal. Portanto, todos são críticos sobre a moda quanto a esse ponto. Outra colocação importante nessa questão se refere à educação. Segundo um dos entrevistados (E8), é necessário uma formação para a independência do PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

sistema da moda. Nos cursos de moda deveriam ter aulas para que os alunos desenvolvam seu próprio estilo, e que trabalhem como personal stilist. Que se conheçam bem, que sejam mediadores e não reprodutores. Saibam andar na “contramão” para provocarem as pessoas a se conhecerem, em qualquer ramo. Aprendam a olhar para dentro, valorizar o que tem de bom. Não serem dependentes desse sistema da moda. Serem capazes de mudar a vida das pessoas. Olhar para dentro para agir fora, fazer o outro se sentir melhor. São mudanças demais nas propostas da moda. Esta é a importância da educação, possibilitar que as pessoas tenham condições de realmente fazer as escolhas certas. No entanto, uma educação para o consumo consciente ainda está muito incipiente na atualidade. Infelizmente, pois para formar uma pessoa autêntica, capaz de estar de bem consigo mesma, verdadeira e com liberdade de ser, é preciso que haja uma educação que possibilite a construção de um ser crítico, com condições de questionar as coisas e não ser apenas “um seguidor”. Um indivíduo com uma boa formação crítica saberia lidar com a moda que é um sistema capitalista que procura criar a necessidade de consumo. Como outros instrumentos capitalistas, segundo um dos entrevistados (E1), “é um sistema que, invariavelmente, procura criar a necessidade de consumo em vez de simplesmente atender a demanda de identidade pessoal da população”. Para o mesmo entrevistado (E1), a moda ainda está muito ligada à vaidade humana, e dentro do movimento vegano existe um estereótipo que não se deve ser

45 feliz e bonito. “Uma lógica de que não se pode estar bem arrumado e feliz. Se vende uma imagem de pessoas com purismo (purismo psicológico), que para mim não tem fundamento. Noção religiosa de purismo não tem relação com a ética. Parece seita”. Neste ponto o entrevistado faz uma crítica aos próprios veganos, que a princípio, para alguns deles, não é importante se vestir bem. Contudo, durante 12° Festival Vegano Internacional, em 2009 e em outros encontros como 2° Congresso Vegetariano Brasileiro, em 2010, é possível perceber que alguns veganos procuram se vestir bem. Nestes eventos havia lojas com produtos para o vestuário, feitos de materiais reciclados e orgânicos, sempre sem qualquer produto de origem animal, inclusive produtos de beleza. Ou seja, parece uma tentativa de associar estética com ética. A moda também tem códigos, segundo outro entrevistado (E2), parece PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

uma forma de inclusão social, se a pessoa se veste de acordo com as tendências de moda ela se sente incluída socialmente, caso contrário, sente-se excluída.

4.3 Considerações sobre a pesquisa com os veganos Os (10) entrevistados, todos veganos, palestrantes que apresentaram as suas práticas e propostas teóricas durante o 12° Festival Vegano Internacional em 2009, disseram que as roupas têm importância, sim, para eles, principalmente porque é com a roupa que a pessoa se apresenta para as outras, transmitindo várias informações sobre sua identidade. Por exemplo, com uma roupa adequada se passa credibilidade quando está se apresentando para o público. Quanto ao tipo de roupas que vestem, os entrevistados optam por roupas básicas, simples, dizem que não gostam do que está na moda e não dão importância para roupas de marcas famosas, mas consideram a questão estética como sendo um quesito importante na escolha de suas roupas. A principal razão para todos os entrevistados deixarem de usar as suas roupas é o desgaste físico, depois vem o desgaste estético. Aqui se pode afirmar que os consumidores veganos entrevistados estão de acordo com um dos princípios da sustentabilidade ao utilizarem os produtos pelo máximo de tempo possível, até o desgaste. Além disso, o tempo de uso das roupas é longo. Jaquetas

46 e casacos e algumas calças são usados por mais de cinco anos, alguns disseram que usam por mais de dez anos. Após o desgaste e o longo tempo de uso, o principal critério observado para a compra de uma roupa nova é o estético, desde que o material não seja de origem animal. O conforto também é um critério fundamental para que as roupas sejam adquiridas. No momento da compra, a falta de informação quanto à origem da fabricação das roupas é uma reclamação dos entrevistados. Pois eles não querem comprar produtos que sejam produzidos em locais onde a mão de obra é explorada, escravizada. Na compra de roupas todos os entrevistados declaram que os gastos mensais são inferiores a $R 200,00. Quanto à compra de roupas de segunda mão, mais da metade dos entrevistados diz que não compra em brechós. Quanto à troca PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

de roupas entre amigos e/ou família, mais da metade dos entrevistados disse que costumam trocar com amigos e/ou familiares. Mas o aluguel de roupas parece ser uma prática pouco comum entre os veganos entrevistados, pois apenas um entrevistado disse que aluga roupas, mas outros disseram que se fosse necessário alugariam. Comprar roupas em brechós é um modo de consumo que vem ao encontro da proposta da sustentabilidade, mas os entrevistados veganos, apesar de praticarem o consumo sustentável sob vários aspectos, como por exemplo, o longo tempo de uso das suas roupas e o desgaste como principal razão para deixar de usá-las, não são adeptos dos brechós. É interessante o fato de que, embora conscientes de que usar roupas de brechó é uma prática sustentável no vestir, os entrevistados, na sua maioria, não têm essa prática. E eles mesmos explicam a razão: falta de hábito (30%). Isso mostra a importância da educação: mesmo racionalmente conscientes de que isso seria o desejável, o comportamento consumidor é diferente. Isso pode levar a se pensar nas campanhas empreendidas a favor da sustentabilidade. Serão suficientes as informações passadas para as crianças nas escolas sobre a sustentabilidade ambiental, se não for traduzido isso em comportamento concreto, e se não for criado, nelas, o hábito de praticá-lo? Quando questionados se poderiam comprar menos roupas do que compram, apenas três entrevistados disseram que não, pois já compram pouco. Os

47 demais entrevistados (7) disseram que poderiam comprar menos. São eles, como todos os consumidores, influenciados pelas campanhas publicitárias de consumo desenfreado? Todos os entrevistados disseram que têm cuidados com a manutenção das roupas para que elas durem por mais tempo. Durante o processo de lavagem, alguns entrevistados lavam a roupa a mão, utilizam sabão natural e produtos orgânicos em geral. A restauração e ajuste das roupas em costureiras é uma prática comum para a metade dos entrevistados. Em síntese, pode-se levantar que os veganos entrevistados vestem roupas básicas, no entanto, mesmo sendo básicas, as roupas devem ser bonitas, isso é, a questão estética aparece como sendo um quesito importante na escolha. Eles usam suas roupas durante muito tempo, têm cuidados com a sua manutenção para que elas durem por mais tempo, deixando de usá-las apenas devido ao desgaste físico. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

Ao comprarem roupas, consideram a origem e o material, que não pode ser animal, gastam pouco e a maioria disse que poderia gastar menos. A troca de roupas com outras pessoas é mais comum, mas a compra de roupas de segunda mão e o aluguel de roupas parecem ser práticas pouco comuns entre os veganos entrevistados. Ou seja, o conhecimento sobre a sustentabilidade não se traduz ainda, totalmente, em comportamento que a promova. E se isso acontece com veganos que têm conhecimento a respeito de um consumo mais consciente, o que se pode esperar do consumidor em geral? Todos os entrevistados disseram que consideram importante um cenário diferente para o sistema da moda, de forma que contribua para que as pessoas possam: - usar roupas e demais objetos por mais tempo, inclusive sem precisar comprá-los; - ter acesso a um sistema organizado de escambo e - ter opções de produtos com materiais reciclados e orgânicos. Também consideram importante mudar a cultura do consumismo, para que seja produzido e consumido menos. O discurso da sustentabilidade não pode ser usado com a finalidade de um consumo sem culpa. Além disso, afirmam que estamos distantes de um cenário de sustentabilidade na moda ou em outras áreas, que há um caminho longo pela frente,

pois

mudanças

culturais

demoram

gerações,

mas

acontecem,

principalmente quando não existe outra saída. Quanto aos princípios para a sustentabilidade sócio-ambiental, todos os entrevistados afirmam conhecê-los e aplicá-los no cotidiano. A separação do lixo

48 é o exemplo de prática sustentável que mais foi citado. A economia de água e/ou de energia; consumir pouco, com uma vida mais simples; o não-uso de produtos animais na alimentação são práticas citadas por metade dos entrevistados como exemplos de comportamentos sustentáveis que praticam. Para eles, uma vida mais sustentável inclui a alimentação vegana e orgânica, pois o consumo de produtos de origem animal tem um grande impacto ambiental, além de não ser ético. Dentre as práticas citadas, uma delas merece atenção: “não ter filhos”. Esse é um dos princípios da sustentabilidade que pouco está sendo abordado pelos teóricos que estudam o tema. Lomborg1, cientista político dinamarquês, afirma que se fosse possível limitar substancialmente o crescimento da população mundial, provavelmente as emissões não aumentariam tanto. Mas só se consegue alterar essa variável dramaticamente num regime autoritário como o da China, PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

onde o governo determina que os casais só possam ter um filho. O cientista não acredita que se vá reduzir a taxa de natalidade com informação. As pesquisas mostram que as pessoas agem de forma muito objetiva sobre o número de filhos que têm. Para os pobres, crianças são fonte de renda. Para os ricos, representam despesa. Assim, Lomborg levanta uma questão relevante para a reflexão sobre a busca por um desenvolvimento sustentável: por que o crescimento populacional não é levado em consideração nas discussões sobre clima e a sustentabilidade? Essa questão foi levantada por somente um dos entrevistados, apesar de que a maioria deles não tem filhos e não pretende ter. Trata-se de um assunto polêmico que envolve questões políticas, religiosas e culturais. As práticas realizadas no cotidiano pelos entrevistados veganos estão de acordo com princípios para a sustentabilidade sócio-ambiental. Alguns entrevistados dizem ter dificuldades em aplicar melhor os princípios da sustentabilidade, pois ainda faltam produtos e serviços mais adequados. Todos os entrevistados dizem que contribuem com a sua comunidade na busca por um modo de vida mais adequado à sustentabilidade sócio-ambiental. Essa contribuição se dá através de palestras, publicação de textos e também pela profissão de cada um. De alguma forma, todos trabalham com questões 1

Entrevista disponível em: http://veja.abril.com.br/231209/podemos-fazer-melhor-p021.shtml Acesso: 29/05/10.

49 ambientais, disseminando informação para contribuir para o conhecimento e despertar a consciência para a necessidade de preservação da vida no planeta Terra. Procuram trabalhar com ideais morais e questões éticas, visando contribuir para uma boa educação. Para todos os entrevistados, ser vegano e difundir a importância do veganismo no dia-a-dia para as pessoas é fundamental para a construção de um mundo melhor, sem tanta destruição ambiental. Assim, acreditam que ser um exemplo pelas próprias ações é uma contribuição para com a sua comunidade na busca por um modo de vida mais adequado à sustentabilidade sócio-ambiental. Os palestrantes do 12° Festival Vegano Internacional, como em outros eventos de que participam, os veganos não recebem pagamento pelas palestras, nem ajuda com passagens e hospedagens. Usam recursos financeiros próprios para contribuírem com a sociedade a partir de seus conhecimentos, para colaborar PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

com a construção de uma humanidade mais sustentável. Os entrevistados têm uma opinião crítica sobre o atual sistema da moda. Para eles a moda é uma indústria insustentável, com produtos efêmeros, que geram desperdícios e destruição ambiental. Portanto desconexa da ética ambiental, é estética sem ética, ou seja, praticamente não há preocupação com um desenvolvimento humano sustentável. O sistema da moda deve ser mudado, segundo os entrevistados. Mas para isso é preciso educar os consumidores para não serem manipulados. A moda faz parte de um sistema capitalista que procura criar a necessidade de consumo. Com mais consciência sobre esse consumo, as pessoas comprarão menos e melhor, reduzindo o consumismo de roupas e demais produtos e, desta forma, contribuirão para a sustentabilidade. A partir da pesquisa com os consumidores veganos pode-se levantar os seguintes pontos principais: - Consideram as roupas importantes; - Usam roupas básicas, mas a questão estética aparece como sendo um quesito importante; - Não gostam do que está na moda e não dão importância para roupas de marcas famosas; - Deixam de usar as suas roupas pelo desgaste físico; - Usam as roupas por um longo tempo;

50 - Escolhem a roupa nova para comprar pelo critério estético; - Não compram produtos de origem animal; - O conforto é um critério fundamental na compra; - Reclamam da falta de informação quanto à origem e os materiais; - Não têm o hábito de comprar roupas de segunda mão, trocar e alugar; - Dizem poderiam comprar menos roupas do que compram; - Afirmam que têm cuidados com a manutenção das roupas para que durem por mais tempo; - Consideram importante um cenário diferente para o sistema da moda, menos produção e consumo; - Alertam que o discurso da sustentabilidade não pode ser usado com a finalidade de um consumo sem culpa; - Acreditam que um cenário de sustentabilidade na moda ou em outras áreas ainda PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

está distante da realidade das sociedades atuais; - Declaram que conhecem e aplicam no cotidiano os princípios para a sustentabilidade sócio-ambiental, - Defendem que uma vida mais sustentável inclui a alimentação vegana e orgânica, pois o consumo de produtos de origem animal tem um grande impacto ambiental, além de não ser ético. - Contribuem com diversas ações na comunidade para a busca por um modo de vida mais adequado à sustentabilidade sócio-ambiental; - Os entrevistados têm uma opinião crítica sobre o atual sistema da moda, consideram uma indústria insustentável. Nessa amostra pode se observar que os entrevistados, consumidores veganos, segundo suas práticas e seu discurso, têm um consumo mais ético e sustentável, comportamento que contribui na busca por um modo de vida mais sustentável. Esses consumidores veganos foram de fundamental importância para o trabalho, pois através de suas contribuições durante as entrevistas, fornecendo informações sobre seu modo de consumo, possibilitaram a realização desta pesquisa que verificou que existe realmente coerência entre o discurso e a prática dos veganos entrevistados. Quanto aos cinco princípios de prioridade propostos por Taylor, apresentados anteriormente, considerando que o ato de se vestir faz parte dos

51 interesses básicos dos humanos, a partir da pesquisa com o veganos pode-se afirmar que: - quanto ao primeiro princípio, o da auto-defesa, não é necessário um confronto com outros seres para que os veganos se vistam, pois não usam peles ou qualquer outro material de origem animal; - quanto ao segundo princípio da proporcionalidade (uma forma de equilibrar os interesses humanos com os interesses dos outros seres, de forma que se tente satisfazer os dois ao máximo possível), pelo fato de não usam qualquer material de origem animal, o interesse dos animais é preservado e, além disso, por consumirem pouco e preferirem produtos naturais e orgânicos, o impacto na natureza é menor; - quanto ao terceiro princípio do mal menor, ele é o que se aplica em situações em que os interesses básicos de animais e plantas estejam inevitavelmente em PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

competição com os interesses não básicos de humanos e em que a satisfação desses interesses humanos seja prejudicial para os outros seres. Mesmo que veganos não usem qualquer material de origem animal, existe sempre algum tipo de dano ambiental como, por exemplo, o uso de computadores e outros aparelhos domésticos, quando descartados poucas peças são recicladas ou reaproveitadas. Porém, ao consumirem pouco e preferirem produtos naturais e orgânicos o mal é menor; - Quanto ao quarto princípio, a justiça distributiva (esse princípio é utilizado nos casos em que não é possível aplicar os três princípios anteriores, já que neste caso os organismos não significam uma ameaça para humanos e ao mesmo tempo, seus interesses são de igual importância), pode-se dividir os recursos benéficos da Terra de forma igualitária com outros membros do planeta. Essa questão, embora não tenha sido abordada diretamente na pesquisa com os veganos, pode-se dizer que, por serem abolicionistas, os veganos defendem que animais e plantas tenham direitos a áreas sem interferência dos humanos, ou seja, como os humanos usam determinadas áreas para viver, outras devem ser reservadas para animais e plantas; - Quanto ao quinto princípio da justiça restitutiva, (aplicável sempre após o princípio do mal-menor e da justiça distributiva), se forem causados danos a nãohumanos pelos humanos (agentes morais), alguma forma de reparação ou compensação deve ser feita, para que as ações sejam completamente consistentes com a atitude de respeito pela natureza. Assim, o princípio da justiça restitutiva se

52 aplica para repor aquilo que foi prejudicado aplicando-se os princípios anteriores, buscando o bem de todo um ecossistema, para poder atingir o maior número de seres possível. Nesse sentido, muitos veganos costumam participar, direta ou indiretamente, de ações que envolvem recuperação de animais e do ambiente natural dos danos causados pelos humanos, dedicando inclusive a maior parte das suas vidas. Entre os exemplos pode se citar o trabalho do Instituto Nina Rosa2, que produz documentários como Vegana, do site ANDA3, que publica diariamente notícias sobre questões ligadas aos animais e ao meio ambiente, a SVB4, que produziu o caderno “Impactos ambientais do uso de animais para alimentação”. Além dos três exemplos citados, poderiam ser elencadas muitas outras ações coordenadas por veganos que desenvolvem diferentes ações em prol da recuperação do que foi danificado ou destruído pelo modo de vida dos humanos, PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0721255/CB

ou ainda que buscam ensinar uma forma de viver sem causar tantos danos ao meio ambiente natural.

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Disponível em: http://www.institutoninarosa.org.br/ Acesso em 15/06/2010. Disponível em: http://www.anda.jor.br/ 4 Disponível em: http://www.svb.org.br/vegetarianismo/ Caderno produzido pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) com o respaldo de fontes como FAO, ONU, WWF e IBGE, o caderno revela em que medida a produção industrial de carnes compromete a sustentabilidade em nosso planeta. Acesso em 10/06/11 3